Bordado Castelo Branco (VI)

As últimas semanas foram cheias de trabalho e actividade, mas nada de trabalhos com agulhas e linhas (dado o estado miserável das minhas mãos, não faço ideia quando voltarei às agulhas e linhas, especialmente as de seda). Sempre bastante afastada do computador, nem tempo tive para acabar a série de textos sobre o bordado de Castelo Branco! Hoje chegou o dia, depois tentarei responder a todo o correio recebido.

The last few weeks have been very very busy, but no work with needles and threads (given the miserable state of my hands, I have no idea when I will return to needles and threads, especially silks). Always away from the computer, I had no time to finish the series of texts on the embroidery of Castelo Branco! Today is the day then I will try to answer all mail received.

Como digo na entrada Bordado Castelo Branco (V) os dois dias em Castelo Branco terminaram – na manhã seguinte regressaríamos a casa. Como a ADRACES (Associação para o Desenvolvimento da Raia Centro-Sul) aparecia como parceira principal de muitas iniciativas no Museu, à noite procurei na internet a sua página e anotei o endereço – Vila Velha do Ródão, a 30km de Castelo Branco – e fiquei surpreendida pois a página da internet não tem nada sobre o bordado de Castelo Branco.

As I say at the post Bordado Castelo Branco (V) the two days in Castelo Branco ended  – next morning we’ll go back home. As I saw  ADRACES (Association for the Development of South-Ray Center) appeared as lead partner in many initiatives at the Museum I’ve searched to its site and wrote down the address – Vila Velha de Ródão, 30 km from Castelo Branco – and was surprised because the website has nothing about embroidery of Castelo Branco.

Na manhã seguinte o meu marido desafiou-me a fazer o desvio e visitar a sede da Adraces, uma vez que saímos cedo do hotel. Em boa hora!
A Associação (cliquem em trabalhos e passagem de modelos) está instalada numa bela casa recuperada. Tive a sorte de encontrar a Dra. Teresa Magalhães, diretora-adjunta, que acompanhou o processo da certificação do Bordado de Castelo Branco. Foi uma longa e muito, muito agradável conversa.

Next morning my husband challenged me to make a detour and visit the headquarters of ADRACES, since we left hotel early. In good time!
The Association (click on trabalhos and passagem de modelos) is installed in a beautiful restored house. I was lucky to find Deputy Director Teresa Magalhães, who take part and followed all the process of Embroidery of Castelo Branco Certification. It was a long and very, very pleasant conversation.

Vou tentar resumir toda a informação que me foi disponibilizada e que clarifica, um pouco, algumas dúvidas e apreensões sobre o futuro do Bordado de Castelo Branco.
A ADRACES tem como “objetivo valorizar e implementar novas formas de intervenção ao nível das comunidades locais…“. É neste contexto que a “Adraces liderou uma parceria constituída por entidades de vital importância na dignificação e valorização de um dos produtos patrimoniais mais importantes da região – o Bordado de Castelo Branco” (António Realinho – diretor da Adraces). O projeto foi, muito apropriadamente, chamado Ex-Libris – Reconverter,adaptar, certificar o Bordado de Castelo Branco, com financiamento do Fundo Social Europeu. As entidades que constituiram a parceria foram a ADRACES, a Câmara Municipal de Castelo Branco, o Instituto Politecnico de Castelo Branco  e o Museu de Francisco Tavares Proença Junior. O “objectivo é, face às ameaças e descaracterizações atuais do Bordado, garantir a preservação do Bordado de Castelo Branco relativamente à sua genuinidade,autenticidae, qualidade estética e técnica.” (Aida Rechena – diretora do Museu de Francisco Tavares  Proença Júnior)*
*as transcrições são da introdução ao livro
Colchas de Castelo Branco – Percursos por Terra e Mar.

I’ll try to summarize all the information I was given and that clarifies a bit some doubts and misgivings about the future of Castelo Branco embroidery.
The ADRACES has as “objective to value and implement new forms of assistance to local communities …”. In this context, the “ADRACES has led a partnership composed of entities whose importance is vital to raising the prestige and value of one of the region’s most important cultural heritage products – Castelo Branco Embroidery “ (Antonio Realinho – director of ADRACES). The project was, appropriately, called Ex-Libris – Reconvert, adapt, certify the embroidery of Castelo Branco, financed by the European Social Fund. The entities involved were ADRACES, the Castelo Branco City Council, the Castelo Branco Polytechnic Institute and the Francisco Tavares Proença Junior Museum. “Given the current threats and alterations of the embroidery, the aim is to guarantee the preservation of Castelo Branco Embroidery with respect to its genuineness, authenticity, aesthetic and technical quality. ” (Aida Rechen – Museum Director Francisco Tavares Proença Junior) *
  * transcripts are from the introduction to the book
Castelo Branco Coverlets – Journeys by Land and Sea

Não estou muito segura quanto a datas mas penso que tudo isto germinou por volta de 2005 (?). O livro foi impresso em 2008. Deve ter sido por essa altura que o Ministério da Cultura (atualmente inexistente…) entendeu que não podia ter bordadoras nos seus quadros e, por isso, à medida que se fossem reformando não seriam substituídas.
Começou por se fazer um levantamento de bordadeiras da região e há ainda cerca de 200 bordadeiras. Há, no entanto, uma grande simplificação dos motivos e a qualidade técnica, por vezes, não é a melhor.

I’m not sure of dates but I think all that began around 2005 (?). The book was printed in 2008. It must have been by that time that the Ministry of Culture (currently non-existent …) decided it could not have all those embroiderers as its officials, and therefore, as they were retiring would not be replaced.
Adraces began by making a survey of embroiderers in the region and about 200 embroiderers are still embroidering. There are, however, a great simplification of the motifs and many times technical and quality are not the best.

Como já mostrei noutra entrada, comprei alguns bordados feitos no Museu. Comprei um outro fora do Museu para, em casa, fazer uma comparação detalhada. Não vou nomear esta bordadeira, pois estou convicta que saberá bordar com perfeição, mas para não perder tempo, simplifica todo o processo e a diferença de preço é só 5€ inferior ao preço do Museu…

As already shown in another entry, I bought some embroideries in the Museum. I bought another out to the Museum,  for a detailed comparison later at home. I will not name this embroiderer because I am convinced that she knows to embroider perfectly, but to save time, simplifies the whole process and the price is only € 5 less than the price of the Museum …

(cliquem nas fotos para ver melhor – click on the pictures to see better) 
O bordado do Museu é o da esquerda. Logo à primeira vista se nota menor número de pontos utilizados.
The Museum embroidery is on the left. At first glance we can notice a smaller number of stitches used.

Uma das formas de se ver a perfeição de um bordado é olhar para o avesso…
One way to see the perfection of the embroidery is to look at the back side …

Aqui um aproximação para se ver melhor a diferença.
Here is a close-up to better see the differences.

E ainda outra aproximação, do lado direito, para mostrar a enorme diferença de execução do ponto frouxo ou ponto de Castelo Branco e do ponto espinha da haste da flor, diferenças que já se adivinham só de olhar o avesso.
Still another close-up, right side, to show the huge difference in ponto frouxo or Castelo Branco Stitch and the Feather Stitch of the flower stem, gaps already guess just by looking at the backside.

A razão porque a Adraces já não tem nada na sua página sobre o Bordado é porque se constituiu uma outra associação – Associação do Bordado de Castelo Branco – que será quem, no futuro, selecionará 15 bordadoras (de entre as 200) e continuará o trabalho da preservação do Bordado, em vez do Museu. No entanto quer o Museu, quer a Câmara, quer a própria Adraces mantêm o apoio total à nova Associação. Esperemos que resulte… mesmo nesta época de crise.
O trabalho para descobrir e motivar aquelas 200 bordadeiras foi um trabalho exaustivo e paciente.
Adraces has nothing about the embroidery on its website because it was created another association – Embroidery of Castelo Branco Association – which will be the sponsor for continuing the work of Embroidery preservation rather than the Museum and will have to choose 15 embroiderers (from the 200). However either the Museum or the City Counsil or the very ADRACES maintain full support for the new Association. Hopefully that results … even in this time of crisis.
The work to find and motivate those 200 embroiderers  was a thorough and patient work.

O livro resultou dos textos de 9 investigadores que abordaram o Bordado de Castelo Branco sob vários aspetos: histórico, técnico, estético, político, económico… Foi um trabalho colossal (adjetivo na moda!). É um livro absolutamente fantástico. Depois deste trabalho todo e da elaboração do Caderno de Especificações seria um crime que o projecto esmorecesse.
The book resulted from the writings of nine researchers who approch Castelo Branco Embroidery on different aspects: historical, technical, aesthetic, political, economic … It was a huge task. It is an absolutely fantastic book. After all this work and the Notebook of Specification done would be a crime that the project flagged.

Penso que não conseguem ler bem. Conto mais tarde voltar a este livro, que tem fotografias preciosas.
I think you can’t read well. I hope I’ll come back to write about this book which has lots of precious pictures.Sabem onde está a maior coleção de colchas de Castelo Branco? Em Londres no V&A Museum, embora não estejam em exposição permanente. Foram lá duas das investigadoras que escreveram neste livro e lá fizeram uma observação exaustiva das colchas, comparando-as com as que temos por cá espalhadas por vários museus e também em coleções particulares.
Fiquei ainda a saber que a APPACDM de Castelo Branco (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) tem como atividade um Centro Sericícola, na Quinta da Carapalha, que mostra o ciclo de criação do bicho da seda e extração do fio de seda – percebi que já comercializam o fio da seda branco e estão a tentar aprender a fazer o tingimento (a página na net é pobre em informação e não tive tempo de visitar a quinta).Guess where is the largest collection of bedspreads from Castelo Branco? In London at the V & A Museum, although not on permanent display. Two of the researchers who work on this book went there and made a thorough observation of the quilts, comparing them with those we have over here across several museums and also in private collections.
I also learned that APPACDM Castelo Branco (Portuguese Association of Parents and Friends of Mentally Retarded Citizens) has an activity center of sericiculture in Quinta (Farm) da Carapalha, which shows the cycle of creation and the silkworm and silk thread extraction – I realized that already sell the thread silk in white  and are testing the dye (the website is poor in information and I had no time to visit the farm).

BYE BYE!

Vim encantada com a Dra. Teresa e o seu entusiasmo pelo Bordado de Castelo Branco. Está convicta que a nova associação vai conseguir levar para a frente o seu projecto. Também estou convencida que é um projecto com sucesso, desde que a sua divulgação seja consistente.
Não estariam interessadas em comprar kits de bordados de Castelo Branco, com instruções? Ou encomendar bordados? Ou aprender mais sobre o Bordado de Castelo Branco?
Por fim, a cereja em cima do bolo: saí da Adraces com aquele livro (só me falta ler o último capítulo), o Caderno de Especificações do Bordado de Castelo Branco e várias revistas da associação.
Muito e muito obrigada Dra. Teresa e até breve, assim a vida mo permita :)

I am delighted with Dra. Teresa and her enthusiasm for the Embroidery of Castelo Branco. She believes that the new association will be able to go forward with the project. I am also convinced that it is a successful project, provided that the disclosure is consistent.

Would you be interested in purchasing embroidery kits from Castelo Branco, with instructions? Or order embroideries? Or learn more about Castelo Branco Embroidery?
Finally, the icing on the cake: I left ADRACES with that book (only miss the last chapter), the Notebook of Specification of Castelo Branco Embroidery  and several magazines of the association.
Thank you very much Dr. Teresa and see you soon, so life let me :)

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Bordado Castelo Branco (V)

Depois de visitar as retrosarias, fomos ao Turismo e lá comprei este livro, que já conhecia, de Margarida Ivo Rosa, editado pela Caleidoscópio. A autora é Mestre de Museologia pela Faculdade de Évora e este livro é a sua tese de mestrado, em 2005. Ainda não li, logo que o fizer falarei sobre ele. Tem fotografias muito boas – isso já vi!

After visiting the haberdasheries, we went to the Tourism house and bought this book, I already knew, by Margarida Ivo Rosa, edited by Caleidoscópio. The author is Master of Museology at the Évora University and this book is her master’s thesis in 2005. I have not read it yet, once I do I’ll talk about it. It has fabulous pictures – that I’ve already seen!

Depois do almoço voltei ao Museu, para visitar a biblioteca e visitar com atenção a sua loja. Começo pela loja.
After lunch I returned to the Museum, to visit its library and visit the museum-shop. I begin with the shop.
É nesta loja que está este maravilhoso livro cheio de págins bordadas.
At this shop you can see this wonderfull book with many, many embroidered pages. 

Todos os prospetos e catálogos do museu têm imagens das Colchas de Castelo Branco. O Bordado de Castelo Branco é, sem dúvida, o ex-libris da cidade.
All brochures and catalogs in the museum are pictures of Coverlets from Castelo Branco. Embroidery of Castelo Branco is undoubtedly the ex-libris of the town.

Na loja comprei postais (alguns estavam esgotados).
At the shop I bought postcards (some were unavailable).

Nenhum com a Árvore da Vida. None with the Tree of Life.

Gosto deste, mesmo sem Colchas. I like this even without Colchas.

Na loja comprei várias peças pequenas. Não havia pássaros – se calhar as mais procuradas. Havia uns painéis maiores com a Árvore da Vida, bastante mais caros, mas hoje estou arrependida de não ter comprado, como devem calcular…
At the shop I bought several small pieces. There were no birds – perhaps the most sought after. There were largest panels with the Tree of Life, much more expensive, but now I regret not having bought, as you can imagine…

Todas as peças têm um “selo” de pano, com um carimbo que tem o selo da República Portuguesa Ministério da Cultura (extinto pelo governo – em tempos de crise é sempre pela Cultura que se começa a cortar…) Instituto dos Museus e Conservação e Museu de Francisco Tavares Proença Junior, e  numerado, datado e com o nome da bordadora escritos à mão.
Each piece has a cloth-label with a stamp with the signet of the Portuguese  Republic Ministry of Culture (now extinct by the government – at crisis times Culture is always the first to suffer…) Institute of Museums and Conservation and Museum Francisco Tavares Proença Junior, and written by hand the number, date and name of the embroiderer.

É uma certificação de que o bordado está feito segundo o Caderno de Especificações técnicas do Bordado de Castelo Branco, já existente, embora o Bordado não esteja ainda certficado.
This is a certification that the embroidery is made according to the Notebook of Specifications already written though the Castelo Branco Embroidery is not yet certified.

Na biblioteca fui recebida por uma simpática senhora que mostrou tantos trabalhos escritos e alguns livros sobre o bordado de Castelo Branco, que me senti perdida. Os trabalhos escritos eram fotocópias de estudos feitos ao longo do séc. XX. Alguns com qualidade, outros mais ou menos. Mas os meus olhos foram atraídos por três deles.
At the library I was received by a nice lady who showed me so many written works and some books about Castelo Branco Embroidery that I felt lost! The written works are photocopies from studies made during 20th century. A few with quality and others more or less. But my eyes were caught by three of them.

O Caderno de Especificações Técnicas que inclui um pouco de história, motivos e seus significados e uma galeria de pontos, entre outras coisas.
The Notebook of Specifications, which includes a little bit of the history, motifs and its meanigs and a stitch gallery, among others.

Um belíssimo livro sobre as Colchas de Castelo Branco, em português e inglês – não está à venda :(. Um livro com 420 páginas, com a colaboração de nove investigadores de diferentes áreas. Foi-me explicado, como aliás a directora do museu se refere no último vídeo da entrada anterior, que estas duas publicações resultam de um trabalho enorme feito em parceria ente a Associação para o Desenvolvimento da Raia Centro-Sul (ADRACES), o Museu, Câmara Municipal e Instituto Politécnico de Castelo Branco, entre 2005 e 2007, com vista à certificação do bordado. Faltam, ao que parece, alguns procedimentos burocráticos…

A faboulous book about Castelo Branco Coverlets, in English and Portuguese – it’s not available :(. A book with 420 pages with nine contributours, all investigators in different matters. Then I was told, as the museum directress explains in the last video of the former post, these two publications are the result of hard work made by a parnership with  ADRACES ( an association for development of the region), the Museum, Common Hall and Polytechnic Institut of Castelo Branco, between 2005 and 2007, to certify the embroidery. It’s missing only some burocratic proceedings…

E o último é um pequeno catálogo de colchas e vestidos de uma passagem de modelos, que o primeiro vídeo da entrada anterior também mostra. Toda a roupa para esta passagem de modelos foi bordada pelas bordadeiras do Museu.
The last is a small catalog of coverlets and dresses for a fashion show, at the previous entry the first video shows some cloths . All the clothes for this fashion show were embroidered by the embroiderers of the Museum.

Muito, muito obrigada a todos quantos me receberam no Museu – nas sala-oficina, na biblioteca e na loja. Foram todos de inexcedível simpatia e disponibilidade! Fizeram com que eu ficasse com uma enorme vontade de voltar.
Thanks so much to all that received me in the Museum – at the workshop room, at the library, at the shop. You all were so kind and available! I’m so greatful I want to come back to Castelo Branco!

Na manhã seguinte regressaríamos a casa. Mas… (continua)
Next morning we would come home. But… (to be continued)

Bordado Castelo Branco (IV)

File:Bordado cb.jpg
Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bordado_cb.jpg?uselang=pt

Alguns vídeos sobre o Bordado de Castelo Branco
Some videos about Castelo Branco Embroidery (in Portuguese, sorry, but with beautiful embroideries)

This one is about a software which will let drawing patterns and transfering to fabric (I don’t know yet if it is already available):

This video shows some embroiderers working on a TV show. We can see my dear Maria de Jesus (in blue) being  interviewed and two other embroiderers – the end pretends to be a comic:

This is the last and a very interesting video. You can see some Colchas explained by the directress of the museum when there were four embroiderers  (now they are only three) though the museum can’t offer big pieces for sale at the museum shop, only little pieces (i bought some of them – I’ll show soon ;) ) Still you can see a very old colcha being restored  and some wonderful details near the end of the video – you have to click the link, sorry:

http://videos.sapo.pt/ofmRzG1LApBg5W7FPWPg

(continua) (to be continued)

 

Bordado Castelo Branco (III)

São 49 as cores usadas no Bordado de Castelo Branco.
Castelo Branco Embroidery uses 49 colours.

Na entrada anterior mostrei a seda natural que comprei em Castelo Branco e que iria fotografá-las junto das “sedas vegetais”, que pensava serem de Castelo Branco. A confusão está explicada no texto que acima fotografei e penso que se lê bem.

Here I showed the silks I bought at Castelo Branco and wrote I’ll take photos with “vegetal silks” I thought were from Castelo Branco. I’ve already written to Mary, Hannah and Deepa to whom I sent those “vegetal silks” as being from CB – my apologies!
My confusion is explained in the text above which I’ll try to translate:
“Sometimes appear works done with “vegetal silks” (rayon) which is an incorrect way to refer to the viscose chemical fiber widely used in the embroidery of Castelo Branco in the decade of the 50’s in 20th century, because they were (and are) considerably cheaper.
Here we do an alert to the fact that silk is an easily counterfeited fiber what can remove quality to the Embroidery considering that the good quality of materials is the most added value of a piece, along with its aesthetic and patrimonial dimension. We can distinguish viscose and silk , viscose is brighter, thicker and in the burning test has plastic smell.”
Hope you understand :-|

Penso que se vê bem as diferenças.
I think you can see well the differences.

Nesta imagem podem ver-se 6 variantes do Ponto Castelo Branco, também conhecido por ponto frouxo e ponto oriental.
This picture shows 6 different ways of doing Castelo Branco Stitch – Laid-Work?

Não sei se já estão cansadas do tema, mas esta é a forma de não me esquecer do que vi e ouvi. Não tenho bordado nada, tenho andado a ler e a escrever no blogue…
Tenho mais para registar, por isso o tema Castelo Branco vai continuar ;)
I don’t know if you are tired about the theme but this is the way I have not to forget what I saw and heard. I’m not embroidering only reading and writting these posts…
I have more to write so the theme Castelo Branco will continue ;)
Detail from a Castelo Branco Colcha 18th/19th century

Bordado Castelo Branco (II)

Na manhã seguinte, debaixo de muito muito calor, fui à procura de duas retrosarias  que a Ana Folhas me tinha indicado, inclusivamente fornecendo as direções:
Retrosaria Três Globos – Largo do Saibreiro, 2 e a
Retrosaria Flor de Outono – Rua 5 de Outubro, 68 (de João de Campos Geraldes)Infelizmente não tenho fotografias das retrosarias – ontem verifiquei que perdi várias fotos, vá-se lá saber porquê! Mas vou mostrar o que comprei em cada uma.

Next morning, under a very very hot sun, I was looking for two haberdasheries that Ana Folhas had given me, including providing directions:
Haberdashery Three Globes – Largo do Saibreiro, 2 and 
Haberdashery Autumn Flower – Rua 5 de October, 68 (owner João Campos Geraldes)
Unfortunately I have no photographs of haberdasheries – yesterday I realized that I missed several shots, can’t understand why! But I’ll show you what I bought at each one.

A retrosaria Três Globos é uma loja grande com uma oferta que eu raramente vejo aqui no Porto.
É claro que eu estava especialmente interessada na oferta de produtos relacionados com o bordado de Castelo Branco. A senhora que me atendeu era uma simpatia e mostrou-me logo as sedas usadas no bordado – tantas, tantas e com cores tão bonitas!!! Viu-me de tal forma confusa que me ajudou a escolher umas que dessem para fazer pequenos motivos.
The Três Globos haberdashery is a large store with an offer that I rarely see here in Porto.
Of course I was especially interested in products related to the embroidery of Castelo Branco. The lady I met was so friendly and showed me the right silks used in embroidery – many, many colors and soooo beautiful! She saw me so confused that helped me choosing which ones to make small motifs.

Além disso mostrou-me o tecido em que, hoje em dia, é feito o bordado de Castelo Branco, que tem só 50% de linho. É um tecido pesado que tem alguma semelhança com o antigo linho caseiro.
Also showed me the fabric used for the embroidery of Castelo Branco nowadays, who has only 50% linen. This is a heavy fabric that has some similarity with the old homemade linen.

Comprei algumas sedas e tecido para um dia experimentar…
Hoje em dia a seda usada nos bordados é italiana. É uma seda ligeiramente torcida.
I bought some silks and fabric for trying one day…
Nowadays the silk used in Castelo Branco embroidery is Italian. It is a lightly twisted silk.

Vou fotografar estas sedas com as sedas vegetais que, como escrevi na entrada anterior, mostrei aqui e aqui como sendo as sedas de Castelo Branco, o que não é verdade e explicarei o porquê da confusão.
I’ll make some photos with these silks and vegetal silks which I showed here and here as being silks of Castelo Branco,this is not true and I’ll try to explain the confusion.

Na Retrosaria Flor de Outono conheci a D. Emília Geraldes que aprendeu muita coisa sobre o Bordado de Castelo Branco há anos, com uma senhora já com muita idade. Falou-me muito sobre o bordado e como se formam os desenhos. A D. Emília tem desenhos próprios. Não ensina porque não tem tempo. Na loja quando lhe pedem ajuda, vai aconselhando.
E foi aqui o único sítio em que encontrei um bastidor de colo ou mesa – não resisti e comprei! Não faço ideia se lhe vou dar uso, mas quero acreditar que sim.
In Flor de Outono Haberdashery I met Mrs. Emilia Geraldes who has learned much about Castelo Branco Embroidery  years ago, with a very old lady. She told me a lot about embroidery and how she draw the designs. Mrs. Emilia do their own designs. She doesn’t teach because have no time. In the store when asked for help she does some advice.
And it was here the only place I found in a lap or table frame – and I could not resist and bought it! No idea if I’ll use it, but I believe so. :-)

O bastidor tem dois tamanhos. Ficou ainda encomendado um suporte para bastidores redondos, que não encontro em lado nenhum. A D. Emília Geraldes vai enviá-lo à cobrança – quando chegar, mostro. Tem também sedas italianas, que envia para todo o lado à cobrança. Tem muitas clientes que lhe mandam pedaços de sedas (quando não sabem os nº da cor) e ela envia.
The frame has two sizes. I also ordered a hoop support , I can’t find anywhere. Mrs. Emilia will send it by post office levy (charging?? I’m not sure how to say in English) – I’ll show it soon I hope. She also has Italian silks, which sends all the time the same way. She has many customers who send her little bits of silks (if they don’t know the number of the color) and she sends by mail.

Conversamos durante um bom bocado e eu disse-lhe que era uma pena ela não ensinar tantos pequenos truques que demonstrou saber.
Explicou que, de um modo geral, para a escolha dos diferentes tons das cores, se coloca o motivo voltado para nós e começa-se, de cima para baixo, do mais escuro para o mais claro; as penas dos pássaros devem ter uma tonalidade mais escura, mesmo que ligeira, junto do corpo do pássaro.
We talked for a while and I told her it was a pity she didn’t teach so many little tricks she showed to know.
She explained that, in general, for the choice of different shades of colors, you must put the motif in front of you and start from the top to down, the darker to the lighter; the feathers of birds must have a darker shade, even slight, just close to the bird’s body.

Disse-me, ainda, que se usa o papel químico para passar o risco – é um costume muito nosso, por esse Portugal fora, talvez porque bastante económico. Mas fiquei surpreendida que aqui se utilizasse o químico, por causa das sedas. Foi quando a D. Emília me explicou o que fazia: passa o risco com o químico, azul ou preto, e deixa o pano meia hora ao sol (o sol de Castelo Branco é bem forte!) para “comer” o excesso de cor do químico. Depois do bordado feito, se ficar alguma mancha que não ficou coberta, tira-se a mancha com miolo de pão! (não faço ideia se as bordadoras do museu utilizam o químico).

Muito obrigada D. Emília e espero continuar a conversa na próxima ida a Castelo Branco.
She still told me that she use carbon paper to transfer the motifs – it is our own custom all over Portugal, perhaps because very affordable. But I was surprised that here carbon paper is used because the silks. That’s when Mrs. Emily told me what she does: she transfers the motifs with blue or black carbon paper and let the cloth under the sun (the sun of Castelo Branco is hard!) for half an hour. Sun “eats” the excess of the color. After the embroidery is done, if there is any stain that is not covered, we take the stain with a crumb! (I have no idea if the museum embroiderers use carbon paper).

Thank you Mrs. Emilia and I hope to continue our talk next trip to Castelo Branco.

 (continua) (to be continued)

Bordado Castelo Branco (I)

Nem sei bem por onde começar! O melhor, mesmo, é começar pelo princípio ;)
Graças à Ana Folhas (obrigada Ana!) fui a Castelo Branco. Finalmente! Quem me segue há algum tempo sabe que falo nesta ida a Castelo Branco há já três a quatro anos, pelo menos. É claro, tudo por causa dos Bordados de Castelo Branco.

I’m not sure where to start! Perhaps the best is start at the beginning ;)
Thanks to Ana Folhas I finally went to Castelo Branco! Who follows me for a while knows I speake on this trip to Castelo Branco for long. Of course all about Embroidery of Castelo Branco.

Estivemos, a Ana e eu, à conversa em Cascais. Tão bom, temos de repetir, sim!?
No dia seguinte partimos para Castelo Branco, almoçámos muito bem em Constância, no Remédio D’Alma.
Logo que chegámos a Castelo Branco fomos ao Museu Francisco Tavares Proença Junior.

Ana and I were chatting at Cascais. So good, we have to do it again!
Next morning we leave to Castelo Branco, had a very good lunch in Constância, at Remédio D’Alma.
As soon as we arrived at Castelo Branco went to Francisco Tavares Proença Junior Museum.

 Sabia que já não teria muito tempo até o museu fechar, nessa tarde, por isso fui directa à sala-oficina onde estão as bordadoras do museu. Encantei-me a conversar com a D. Maria de Jesus, sempre a bordar com uma perícia e rapidez de espantar. São muitos anos já, diz ela sorrindo. Fiquei logo a saber que tinha cometido um enorme erro quando aqui mostrei sedas vegetais como sendo as sedas com que se faziam os bordados de Castelo Branco. De facto este bordado é feito com seda natural, actualmente adquirida em Itália. Mas disto falarei noutro artigo.
Quando me despedia, perguntei se podia fazer uma fotografia. Disse que não costuma deixar, mas sim podia tirar. Obrigada!
I knew I had not much time till the evening closure of the museum so I went directly to the workshop-room where the embroiderers are. To talk to Mrs. Maria de Jesus has charmed me always embroidering with a surprising skill and speed. Many years, she says smiling. I soon learned I’ve made a huge mistake when I showed (and sent to some friend bloggers) vegetal silks as being the silks used in the embroideries of Castelo Branco. In fact the embroidery is made with natural silks nowadays acquired in Italy. But I’ll talk about this later.
When I left I asked if I could make a picture. She said she usually doesn’t allow but yes I could do it. Thanks!

A D. Maria de Jesus explicou-me que o bordado de Castelo Branco tanto pode ser monocromático, como o que estava a fazer – branco sobre castanho, uma encomenda –  como policromático, talvez o mais conhecido. Na sala, num outro bastidor estava uma outra encomenda começada, monocromática também, em amarelo dourado sobre branco. A D. Maria de Jesus chamou-me a atenção de, no bordado monocromático, a bordadora “jogar” com a direção e a escolha dos pontos. A direção dos pontos muda a tonalidade da seda, parecendo, por vezes, que se usam sedas de tons ligeiramente diferentes. Também a escolha dos pontos é diferente num bordado monocromático como o que estava a fazer, trabalhando em função do tecido escuro que usava – assim, uma flor, que num bordado policromático teria as pétalas cobrindo todo o tecido, possivelmente com tonalidades diferentes da mesma cor e direções diferentes dos pontos, no bordado monocromático as pétalas teriam uma parte que cobria o tecido e outra que seria preenchida com pontos de fundo para que o tecido escuro se pudesse ver. E esse princípio aplica-se a todos os motivos. A escolha é da bordadora, embora nessa escolha esteja subjacente anos e anos de prática para a escolha acertada. Mas até a D. Maria de Jesus referiu que tinha acabado de desfazer um ponto de fundo, pois não gostou do resultado e tinha feito outro que resultou melhor.

Mrs. Maria de Jesus explained that Castelo Branco embroidery can be either monochrome, as he was doing – white on brown, an order – as polychromatic, perhaps the best known. In the room, another order was started, also monochrome, golden yellow on white. Mrs. Maria de Jesus caught my attention to the fact that in monochrome embroidery needleworker “plays” with the direction and the choice of stitches. The direction of the stitches changes the hue of silk, looking as slightly different shades of silks are being used. Also the choice of stitches is different in a monochrome embroidery like the one she was doing, working on a dark tissue – so a flower, which would have embroidered petals covering the entire fabric in a polychromatic , possibly with different shades of the same color and different directions of the stitches, in monochrome embroidery petals have a part that covered the tissue and another that would be filled with filling stitches in order to the dark fabric can be seen. And this principle applies to all motifs. The choice is done by the embroiderer flair, but underlying this choice there is years and years of practice for the right choice. But even Mrs. Maria de Jesus said she has just undone a filling stitch and tryed another one she thinks works better.

Fiquei com a certeza de que o Bordado de Castelo Branco não se aprende num workshop qualquer. Há tantas variáveis quer na escolha de pontos, quer na escolha das cores e suas tonalidades – diferente num cravo, numa romã ou num pássaro. São necessários muitos anos para adquirir toda essa sabedoria. Pena é que todos estes depoimentos não sejam registados ou que se façam filmagens destas bordadoras bordando e explicando – se calhar até já há e eu não sei …
Um grande muito obrigada, D. Maria de Jesus, pela sua simpatia, paciência e generosidade, mas principalmente pelos tesouros que saem das suas mãos e das suas colegas!

I have the conviction that the embroidery of Castelo Branco can’t be learned in a single workshop. There are so many variables both in choice of the stitches, both in choice of the colors and its shades – different in a carnation, a pomegranate or a bird. It takes many years to get all this wisdom. The pity is that all these statements and skills are not registered in paper or movies – maybe they already are and I don’t know …
A big thank you, Mrs. Maria de Jesus, for your kindness, patience and generosity, but mainly for the treasures that come out of your hands and your fellows!

Numa das grandes paredes da sala-oficina estavam duas colchas belíssimas feitas pelas bordadoras do museu. A que foi feita para o centenário do museu (no ano passado) era um espanto! A D. Maria de Jesus chamou-me a atenção para o pormenor do ponto matiz, perfeitíssimo. Sei que não se podem tirar fotografias no museu e, depois de tanta amabilidade, acanhei-me de pedir para tirar mais uma fotografia :-| talvez para a próxima ida a Castelo Branco, quem sabe?

In one of the great walls of the workshop-room were two beautiful coverlets made ​​by the embroiderers of the museum. The one made for the centenary of the museum (last year) was a surprise! Mrs. Maria de Jesus called my attention to detail of the long and short stitch shading (thread painting, needle painting), absolutely perfect. I know I can’t take pictures in the museum and, after so much kindness, I was shy to ask  for another shot :-|  maybe for the next trip to Castelo Branco, who knows?

a wonderfull book where you can see the both sides of the embroidery, at the shop of the Museum

um livro maravilhoso, onde se pode ver os dois lados do bordaddo – na loja do Museu

Apesar de continuarem a ter muitas encomendas, senti um desalento muito grande quanto ao futuro do bordado de Castelo Branco devido a muitas adulterações e simplificações que estão a aparecer e ao desaparecimento da oficina-escola do museu. Atualmente o museu tem só três bordadoras, que não serão substituídas quando se reformarem. Há uma sensação de descontinuidade de muitas actividades do museu desde a sua integração no Instituto dos Museus e Conservação e da dependência deste instituto, sediado em Lisboa. Até na loja do Museu! Não sei se é real se só sentida. Há, de facto, pouco dinheiro, mas é capaz de haver alguma desigualdade em relação aos museus de Lisboa…
Há uma associação que irá ter a responsabilidade de todo o património e preservação do bordado de Castelo Branco. Falarei disso numa outra entrada.

Despite having many orders, I felt a great discouragement about the future of Castelo Branco embroidery due to many simplifications and misrepresentations that are appearing and the disappearance of museum school workshop. Currently the museum has only three embroiderers and they will not be replaced when they retire. There is a sense of discontinuity of many activities of the museum since its integration into the Institute of Museums and Conservation and the dependence of the institute, based in Lisbon. Even in the Museum shop! I do not know if it’s real or just felt. There is, in fact, little money, but it can be some inequality in relation to museums in Lisbon …
There is an association that will be responsible for all the heritage and preservation of Castelo Branco embroidery. I will speak of it in another entry.

(continua)  (to be continued)