Inspirations magazine!

Há já algum tempo, a Anna Scott, então editora da revista australiana Inspirations, contactou-me a perguntar se queria fazer um pequeno projeto de bordado de Guimarães para publicação na revista. Como calculam fiquei surpreendida com este interesse, do outro lado do mundo, por um trabalho português e feito por mim, eu, je, me, myself???!!!
Vários e-mails depois, muitos mesmo, lá consegui concretizar o projeto. Mas só na segunda metade de 2013! Publicado na revista Inspirations #79 que saiu em Nov. de 2013
Como não sei fazer esquemas, tive que bordar, fotografar e editar dezenas de fotografias e ir enviando para a Austrália, sempre a perguntar se se compreendiam as explicações.
Pedi um desenho original à minha professora de Bordados de Guimarães, que, quem me segue há algum tempo já sabe, é a professora Maria do Céu Freitas. Fez um desenho lindissimo, mas estão lá todos os pontos usados no bordado de Guimarães e com os elementos minúsculos! Mas consegui. Recebi, agora, o pequeno saco tradicional de volta, para, finalmente vos mostrar.
Tenham uma boa semana!.

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For some time now, Anna Scott, then editor of the Australian Inspirations magazine,  asked if I wanted to do a little project of Guimarães Embroidery  for publication. As you can imagine I was so surprised with this interest from the other side of the world, for a Portuguese work. And done by me, myself, je, me, myself???!!! 
Several emails later, many many, I was able to finish the project on the second half of 2013! Posted in Inspirations Magazine # 79 which came out in Nov. 2013. 
As I don’t know how to do schemes, had to embroider, shoot and edit dozens of photos and send go to Australia, always asking if explanations were  understandable.
My teacher of Embroidery from Guimarães, Maria do Céu Freitas drawn a special design. She did an absolutely beautiful design, with all the stitches used in Guimarães Embroidery but  tiny tiny elements! But I got it. I received my traditional small bag back to finally show to you.
Have a good week.

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Douro again!

Rio Douro

Ao fim de 48 horas – convencida que tinha perdido a máquina fotográfica ela apareceu!
– a  carregar o telemóvel, convenci-me que morreu definitivamente!
– e o computador, não se sente nada bem…espero que escape
voltei ao Douro, onde a net é mais lenta, mas aqui vão os progressos do projeto do Galo Louco.
After 48 hours – believing I’ve lost the camera she appeared!
                        – loading my  cellphone, convinced myself it is definitively dead!
                        – and the computer does not feel any better … hopefully escaped so far. 
I’m back to Douro, where the net is slower. Here is my progress of the Galo Louco project.

1 projeto Galo Louco

1 projeto Galo Louco

Os “ós”, “ás” e “erres”são o mais difícil de fazer. Este foi o início – está péssimo.
Letters “o,a,r” are the most difficult to do. This is the beginning – is terrible.

 

2 projeto Galo Louco

2 projeto Galo Louco

Lentamente vou-me aperfeiçoando. Espero.
Slowly I’m  improving. I hope.

3 projeto Galo Louco

3 projeto Galo Louco

4 projeto Galo Louco

4 projeto Galo Louco

5 projeto Galo Louco

5 projeto Galo Louco

Até poder fazer um “ver de perto” (close-up, alguém sabe traduzir?)
Until I can make a close-up.

6 projeto Galo Louco

6 projeto Galo Louco

Tenham um bom domingo! Have a great Sunday!

Projeto para o Galo Louco / Galo Louco Project

Lembram-se desta foto? Fiquei logo entusiasmada com este painel!
Remenber this picture? I immediately fall in love with this panel!

Douturandos de Belas Artes com a nossa anfitriã, a Rita e eu

Douturandos de Belas Artes com a nossa anfitriã, a Rita e eu

Painel oferecido ao Galo LoucoAqui está o painel, todo desenhado à mão, com várias inspirações, talvez a principal seja os lenços de namoradas. Mas vemos também os corações e flores de Viana, o pássaro dos lenços e em baixo à direita um pássaro e cravo que é decididamente de Castelo Branco. Estes desenho foram pesquisados e executados por uma arquiteta Sérvia e um designer Indiano que fizeram um mestrado nas Belas Artes do Porto. As frases são maioritáriamente em Inglês e resultam do trabalho que fizeram junto da dona do Galo Louco sobre a tradição, artistas, artesãos e sustentabilidade.
Este trabalho foi uma surpresa para a dona do Galo Louco e um gesto muito simpático e com muito significado deste alunos de Belas Artes que ficará nesta loja que vende exclusivamente produtos Portugueses.

Here’s the panel, all drawn by hand, with various inspirations, the main is perhaps love kerchieves. But we also see the hearts and flowers from Viana, the bird of kerchieves on top right and at the bottom right a bird and carnation that it is definitely from Castelo Branco. These drawings were researched and developed by a Serbian architect and an Indian designer who did a Masters in Belas-Artes in Porto. The sentences are mostly in English and result of the work they did next to the owner of Galo Louco about tradition, artists, artisans and sustainability.
This work was a surprise to Galo Louco’s owner and a very nice and very meaningful gesture from the students that will remain in this store that solely sells Portuguese products.

A primeira parte  do trabalho para este projeto foi feito já no princípio de Abril.
The first part of the work for this project was done in early April.

esenho passado para papel vegetal

desenho passado para papel vegetal

 

desenho transferido para linho

desenho transferido para linho

 

desenho passado a cores para folha mais pequena

desenho passado a cores para folha mais pequena

Decidi começar pelo mais difícil deste bordado que são as frases. As letras pequenas custam bastante a bordar.
Em breve mostrarei o que já bordei, que não foi muito.

I decided to start with the harder of this embroidered the sentences. The small handwrittings are quiet difficult to embroider.
Soon will show what is already stitched, which was not much.

Recorte invertido / Inverted Buttonhole stitch

O remate é feito em ponto caseado (liso ou bastido) ou recorte invertido, executado sobre a borda do tecido voltada para o avesso, que é aparada no final.
The hem is done in inverted buttonhole stitch or blanket stitch (plain or padded) , run over the edge of the fabric folding to the wrong side, which is trimmed at the end.

Este parágrafo da entrada sobre os Bordados de S. MIguel fez-me confusão pois não compreendia o que era o liso e bastido, nem o recorte invertido. Também nos comentários surgiram muitas dúvidas.
Tenho agora a resposta (já tinha, mas não procurei, como devia).
That paragraph on Embroidery S. MIguel post made ​​me confused because I did not understand what was plain and bastido or invert buttonhole. Also in the comments emerged many doubts.
Now I have the answer (already had, but did not looked for as I should).

Percebi primeiro que o bastido que o livro do Bordado dos Açores refere é o que aqui, no norte, se chama enchimento e o liso é o contrário, sem enchimento.
First I  realized that bastido referred in  the book Azorean Embroideries means padded, and liso is the contrary not padded.

Aqui está o Ponto cheio liso  também designado, por vezes, por Ponto lançado;
Here is Plain satin stitch  sometimes named as Straight stitch.


E aqui o ponto cheio com enchimento ou bastido.
And here the Padde Satin Stitch.

Depois a minha amiga MLB de Sintra apontou-me a Enciclopédia da Agulha- 3ª edição, livro que encontrei num alfarrabista, em Braga, há já uns anos. E lá encontrei como se faz o remate com o recorte invertido do Bordado de S. Miguel – embora o termo  invertido não seja referido.
Todas as fotos a partir daqui são da Enciclopédia da Agulha – 3ª edição (infelizmente não sei a data da edição.

Then my friend MLB from Sintra pointed me to the book  Enciclopédia da Agulha (Encyclopedia of the Needle) -3rd edition that I found in a book-scout in Braga, some years ago. And there I found how to make the hem with the inverted buttonhole in S. Miguel Embroidery – although the term  inverted is not mentioned.
All photos are from the Encyclopedia of the Needle – 3rd edition (unfortunately do not know the date of issue)

S. Miguel hem

S. Miguel hem

.???????????????????????????????Trying to translate how to make the hem:
You must transfer the drawing to the linen leaving a piece of this linen with enough height to fold to the back side. The part that folds up is fixed when outlining the drawing as shown at #2
Then do the buttonhole stitch turning this to the person that is embroidering, as shown at # 3.
Instead of Buttonhole stitch you  can can do Satin Stitch as indicated.


Está confuso? Vou ver se consigo fazer uma amostra em breve. Digam coisas!
Are you confused? I’ll see if I can get a sample soon. Say  something in the comments bellow!

 

Bordados dos Açores / Azorean Embroideries (III)

Palha de trigo/ weath staw

Palha de trigo/ weath staw

(You can click on the pictures) (Podem clicar nas fotos)

1 – Rachadores, 2 – Fio de piteira (?), 3 – Furador e dedeira, 4 – Palha de trigo
1 – Choppers, 2 – Thread of maguey, (?) 3 – Awl and finger cot(?), 4 – Wheat Straw

O que é tudo isto??? A apresentação do Bordado a Palha de Trigo da Ilha do Faial!
What is all this???  The presentation of Embroidery with wheat straw from Faial Island!

Segundo Alexandra Andrade, autora dos artigos sobre Bordados dos Açores, nos livros abaixo referidos, “a emigração foi determinante no surgimento do quase inédito “ Bordado a Palha de Trigo da ilha do Faial”, também designado por “renda de pita”.
No Arquivo dos Açores há o registo do primeiro exemplar que remonta a 1850. Terá sido um chapéu de senhora de seda preta bordada a palha que foi enviado por Mr. Hasper, residente em Boston (EUA), a sua irmã, residente na Horta, supostamente para averiguar da viabilidade de produção de trabalhos deste género na ilha do Faial. A senhora que estudou a urdidura desse bordado (D. Joana E. Ferreira) transmitiu-o a várias bordadeiras, tendo impulsionado uma nova indústria que já tinha mercado à espera. Confecionavam xailes, mantilhas, mantas de pescoço, lenços, chapéus e vestidos decorados a palha sobre tule de seda ou algodão branco ou preto. Os trabalhos também foram divulgados em Paris e muito apreciados ao nível das casas de alta-costura.
A palha de trigo dos Açores apresenta características próprias, como o brilho e a cor.”
According to Alexandra Andrade, author of articles about Azorean Embroideries, in the two books mentioned below , ” emigration was instrumental in the emergence of the almost unprecedented Embroidery with Wheat Straw from Faial island, ” also called” lace in pita “.
Files in the Azores there is the record of the first issue dating back to 1850 . It have been a lady  hat embroidered on black silk with straw which was sent by Mr. Hasper, living in Boston ( USA ), to his sister, living in Horta, supposedly to investigate the feasibility of producing of this kind of work in Faial Island. The lady who studied the warp of this embroidery ( D. Joana E. Ferreira ) forwarded it to several embroiderers , having driven a new industry that already had a market waiting . They embroidered shawls, mantillas, neck  scarves, hats and dresses decorated  with straw on cotton or silk tulle white or black . The work was also published in Paris and much appreciated by haute couture maisons.
The wheat straw from Azores presents its own characteristics such as brightness and color.”
As mulheres faialenses usavam, vulgarmente, véus e mantilhas nas cerimónias religiosas. Feitos em fino tule de algodão ou seda preto (hoje difícil de obter) tinha uma consistência fluida, caindo naturalmente sobre os ombros parecendo pairar sobre ele, em vez de a ele estar aprisionado. É de evitar a utilização do tule de nylon em substituição do tule de algodão, da mesma forma que não é aconselhável o emprego de um fio têxtil em substituição do fio da piteira no desenho das finas ramagens. Estes materiais nem sempre são obtidos com facilidade, tal como a palha de trigo, mas tornam-se imprescindíveis para a dignificação do produto e garantia de qualidade face a um mercado cada vez mais exigente. A matéria-prima é preparada pela própria bordadeira que sabe como obter a cor e a textura desejada de forma a facilitar a execução sem descurar a perfeição técnica e a harmonia estética. A loira palha de trigo  pode ser tingida com açafroa de forma acentuar o tom dourado, é amassada e separada em tiras finas com um rachador de madeira ou osso, após o que estará pronta a ornamentar o tule, desenhando simples motivos vegetalistas de efeito visual surpreendente.”

The women from  Faial Island wore commonly  veils and headdresses in religious ceremonies. Made in fine tulle of black cotton or silk (now difficult to obtain ) had a fluid consistency  falling naturally on the shoulders seeming to hover over it, instead of being imprisoned to it. It’s good to avoid the use of nylon tulle netting in place of the cotton as well as it is not advisable to use any other kind of thread  in substitution of thread of maguey in the design of the thin branches. These materials are not always obtained easily, such as wheat straw, but it becomes indispensable to the dignity of the product and quality assurance in the face of an increasingly demanding market. The raw material is prepared by each embroiderer who knows how to get the color and texture desired in order to facilitate the implementation without neglecting technical perfection and aesthetic harmony. The blonde wheat straw can be dyed with safflower so emphasize the golden tone, is mixed and separated into thin strips with a chopper of wood or bone strips, and it will be ready to adorn the tulle, drawing simple plant motifs of an  amazing visual effect. “

And let’s see the photos I selected from  the two books and tell me if you had ever seen something similar.
E vamos ver as fotografias que selecionei dos dois livros e digam-me, se já tinham visto algo do género.
In white tulle/ em tule branco

bordado-do-faial-3 Three tons of gold três tons de oiro

bordado-do-faial-3
Three tons of gold
três tons de oiro

O meu preferido em tule preto / my favorite in black tulle:

Bordado-do-Faial-4

Bordado-do-Faial-4

Did you like these posts about Azorean Embroideries? Hope so! 
Gostaram desta série sobre  Bordados Açoreanos? Espero que sim!

Só vos digo que eu fiquei com uma enorme vontade de ir de novo a S. Miguel, à Terceira e ao Faial, exclusivamente para falar com quem sabe destes bordados, pois fiquei com imensas dúvidas!Tenham uma boa semana!
I only tell you that I got a strong desire to go back to S. Miguel, to Terceira and to Faial exclusively to speak with who really knows about these embroideries, because I got lots of questions!Have a great week! 


Bibliografia/ Bibliography:
Fios – Formas e Memórias dos Tecidos, Rendas e Bordados
Instituto de Emprego e Formação Profissional – 2009
Threads – Shapes and Memories of Fabrics, Lace and Embroidery
Institute of Employment and Vocational Training – 2009

Bordados dos Açores
edição da Secretaria de Estado da Economia
Centro Regional de Apoio ao Artesanato/2008
 Azorean Embroidery
edition of the State Secretariat for Economic Affairs 
Regional Centre for Handicrats /2008

 

Bordados dos Açores / Azorean Embroideries (II)

Vou basear-me nos dois livros referidos na anterior entrada sobre os Bordados dos Açores para vos falar nos Bordados da Terceira.
cliquem nas fotos para verem melhor

I’ll base on both books mentioned in the previous post about Azorean Embroideries to talk about Terceira Embroideries.
you can click on the pictures to see better.

Basicamente o Bordado da Terceira é tradicionalmente referido como bordado a branco. No bordado a branco não são os pontos usados que o definem especialmente, pois são pontos usados por todas as bordadeiras das Ilhas e de Portugal Continental e de todo o Continente Europeu. Este tipo de bordado aparece com o classicismo de finais do séc. XVIII. É o tipo de bordado mais recomendável para as roupas de casa.
Tecidos brancos de linho, algodão, musselina, cambraia, popelinas são usados no bordado a branco, designadamente o bordado inglês (broderie anglais) que ornamenta não só a roupa de casa (monogramas em lençóis e almofadas), mas também a roupa interior, toucas, aventais, lenços e roupa infantil.

Basically Terceira Embroideriesis traditionally referred to as whitework embroidery. The stitches used in whitework embroidery are not what define especially this kind of embroidery, because the stitches are used by all embroiderers in the Portuguese Islands and continent as well as in entire European continent. This type of embroidery appears with the classicism of the late 18th century. It is the most recommended type of embroidery for household linen.
White linen, cotton, muslin, chambray fabrics are used in whitework, namely English embroidery (broderie anglais) which decorates not only the household linen (monograms on linens and pillows), but also underwear, caps , aprons, scarves and children’s wear.

Usa-se predominantemente o ponto aberto e o bordado a cheio na decoração ao longo do séc. XIX, dos linhos que faziam parte da bagagem dos emigrantes que partiam para o Brasil, onde desenvolveram a indústria de tecidos de algodão e linho, associada à indústria de bordados. No final do séc. XIX já se pode falar de uma exportação regular e industrializada que se estende, não só ao Brasil, mas também aos Estados Unidos e Canadá e norte da Europa (Inglaterra e Alemanha) a par com o bordado Madeirense. Há notícias que as casas da Madeira procuravam na ilha Terceira bordadeiras a quem confiavam o excesso de encomendas.Em meados do séc. XIX há registo de grande número de bordadeiras em Angra do Heroísmo, e bordadeiras também recrutadas nas ilhas de S. Jorge e Graciosa.
As ligações comerciais do Bordado da Madeira com a Inglaterra estenderam-se às ilhas dos Açores. Observando com atenção o bordado da Madeira e o da Terceira encontram-se realmente afinidades entre os dois especialmente de 1940 e 1960, muito mais que atualmente. Ambos os bordados evoluiram natural e diversamente.
It is used mostly openwork and satin stitch along the 19th century, in the linens that were part of the baggage of emigrants leaving for Brazil, where they developed the industry of cotton and linen, associated with the embroidery industry. At the end of the 19th century we can already speak of a regular and industrialized export that extends not only to Brazil but also to the United States and Canada, and northern Europe (England and Germany) alongside with Madeira embroidery.There are records that houses on Madeira  island looked for embroiderers in Terceira island to whom trusted the excess of orders.
In  mid- 19th century  there are records of a large number of embroiderers in Angra do Heroismo, and there are embroiderers sought from  islands of S. Jorge and Graciosa as well.
Commercial links between Madeira Embroidery and England extended to the islands of the Azores. A careful observation of the embroidery of Madeira and the embroidery of Terceira are actually affinities especially between 1940 and 1960, much more than today. Both embroideries have evolved natural and differently.
Nota minha: as fotos que se seguem penso eu que serão as peças mais antigas: lenços, monogramas, etc.
My note:I think the following photos  are the oldest pieces: handkerchiefs, scarves, monograms, etc..

Os lenços de amor brancos bordados a ponto cheiro e recorte encontram-se nos exemplares mais antigos desta região; também o ponto aberto (crivos artísticos), o richelieu, os ilhós em linha de algodão branco em tecido branco caracterizam atualmente o Bordado da Terceira. Classificar este tipo de bordado não é fácil pois também integra o ponto grilhão, pé de flor, corda, canutilho, caseado, cavacas, ponto de areia, granitos e nozinhos – a sua utilização tanto dependia do gosto das bordadeiras como das tendências do mercado. O mesmo acontecendo com os motivos decorativos (estilizados ou não) que, como por esse mundo fora, se baseiam na flora campestre: ramos, flores, laços, corações, etc.

White love handkerchiefs embroidered with satin stitch and buttonhole stitch are the oldest examples of this region; also openwork ( artistic openwork ), richelieu, eyelets in white cotton threads on white fabrics currently characterize Terceira embroidery. Classify this kind of embroidery is not easy because it also includes the Palestrina Stitch,Stem stitch, Bullion, Buttonhole Stitch, Cavacas, Seed Stitch,  Granitos and French Knots – its use both depended on the taste of embroiderers as market trends. The same happened with decorative motifs (stylized or not), as throughout the world are based on flora : branches, flowers, bows, hearts, and so on.



Mais que a técnica o que distingue o bordado a branco feito nas ilhas Terceira e Graciosa são os temas e composição dos motivos decorativos – poderá ser definido como uma das diversas versões populares do bordado inglês ou germânico, ao lado do Bordado de Guimarães, de Tibaldinho, da Lixa, da Terra de Sousa e da Madeira.
Do bordado inglês distingue-se pela variedade de pontos utilizados, o uso em cachos do ponto cheio e ilhós sombreados ou não, o preenchimento das aberturas com crivo, os ilhós juntos em diversas composições geométricas de que resultam, por exemplo, as designadas cavacas(1) e viúvas(2). É nestas versões que o bordado da Terceira se apresenta e distingue atualmente
Entre todos estes bordados existem muitas afinidades e percurso semelhante: uma fase antiga de cariz nobre, uma grande variedade de pontos e harmonia de composição decorativa, uma fase de regionalização, tipificada nos motivos mais populares e tradicionais e a fase moderna, caracterizada por alguma liberdade na composição decorativa assim como na utilização de novos materiais e novas cores, sem, contudo, ignorar os modelos anteriores.[i]

More than the technique which distinguishes whitework made at Terceira and Graciosa are the themes and the composition  motifs of decoration – it can be set to one of several popular versions of English embroidery or Germanic whitework, aside of Guimarães Embroidery, Tibaldinho Embroidery, Lixa Embroidery, Terra de Sousa Embroidery and Madeira Embroidery.

It is well distinguished from English embroidery (broderie anglaise) by the variety of stitches used in clusters using satin stitch and  shadowed (or not) eyelets , filling the open work, eyelets together in various geometric compositions that result , for example , designated cavacas(1) and widows(2) (literal translation). It is these versions that Terceira embroidery currently presents and distinguishes.

Among all these embroideries are many affinities and similar route : an ancient phase of noble nature, a variety of decorative stitches and harmony of composition, a process of regionalization, typified in the most popular and traditional motifs and a modern phase, characterized by some freedom in decorative composition as well as the use of new materials and colors, without ignoring the old models.[i]

[i] In Bordados dos Açores – Bordado de S.Miguel – textos de Alexandra Andrade.

Cores e motivos mais atuais
Colours and more recent motives

Bordado da Terceira atual

Bordado da Terceira atual

(1)cavaca (regional term – none translation found)


(2) Viúvas (regional term – widows – literal translation)

E é tudo sobre o Bordado da Terceira. O bordado da outra ilha dos Açores de que vou falar penso ser bastante desconhecido, mesmo para os Portugueses!
Bom fim de semana!

And it’s all about Terceira Embroidery. The embroidery of the other island of Azores I’ll be talking next is quite unknown even to the Portuguese people, I think!
Have a great weekend!

 

Bordados dos Açores / Azorean Embroideries

Bordados dos Açores   edição da Secretaria de Estado da Economia Centro Regional de Apoio ao Artesanato/2008

Bordados dos Açores
edição da Secretaria de Estado da Economia
Centro Regional de Apoio ao Artesanato/2008
 Azorean Embroidery
edition of the State Secretariat for Economic Affairs 

Regional Centre for Handicrats /2008

Fios

Fios – Formas e Memórias dos Tecidos, Rendas e Bordados
Instituto de Emprego e Formação Profissional – 2009
Threads – Shapes and Memories of Fabrics, Lace and Embroidery
Institute of Employment and Vocational Training – 2009

A Mariamana ofereceu-me estes dois livros há meses. Devido aos problemas com os olhos não peguei logo neles. Hoje vou falar dos Bordados de S. Miguel
Mariamana gave me these two books  for months. Due to my problems eyes did not catch them immediately. Today I will talk about S. Miguel Embroidery ( Azores islands: ilha S. Miguel, ilha do Pico, ilha da Terceira, Ilha do Faial, ilha das Flores, ilha de S. Jorge, ilha Graciosa, ilha de Sta Maria e ilha do Corvo,) Azores islands are just wonderful! (I only know S. Miguel island!)

Um pouco de História

O Arquipélago dos Açores, descoberto pelos Portugueses no séc. XV , com as suas 9 ilhas, representa uma diversidade geográfica e, por consequência, também cultural muito rica.
O povoamento das ilhas, então desertas, torna-se muito importante nas rotas do Atlântico Norte, inicialmente de Portugal e Espanha e, posteriormente da Flandres e países do norte da Europa. A rota do Mediterrâneo vai perdendo a forte influência que tinha.
As rotas do Atlântico estendem-se e fazem com que o arquipélago dos Açores ganhe uma riqueza cultural diversificada devido ao cruzamento de culturas.
The Azores Islands, discovered by the Portuguese in the 15th century, with its nine islands, represent a geographical diversity and therefore very rich culture  as well.
The settlement of the islands, then deserted, becomes very important on the North Atlantic routes, originally from Portugal and Spain, and later in Flanders and northern countries of Europe. The route of the Mediterranean gradually loses the strong influence it had.
The Atlantic routes extend and make the Azores islands get a diverse cultural richness due to the crossing of cultures.

A arte de bordar liga-se à mais antiga arte artesanal dos Açores – a tecelagem.
Inventários da fidalguia da época registam a existência de indústria caseira de tecelagem e bordados. As peças tanto eram para uso caseiro como para uso religioso. A partir do séc. XVIII o linho e algodão começa a ser importado da Flandres e eram também fornecido os modelos da época, que eram copiados nas ilhas . Também outras influências se foram sentindo: Índia, Inglaterra, Brasil e já no séc. XIX da América do Norte, quer devido a relações comerciais, mas principalmente à emigração.

The art of embroidery binds to oldest craftsmanship of Azores – weaving.
Inventories of the nobility of the time record the existence of cottage industry of weaving and embroidery. The pieces were both for home or for religious use. From the 18th century linen and cotton fabrics began to be imported from Flanders and were also comes models of the time fashion, who were copied on the islands. Also other influences were feeling: India, England, Brazil and already in 19th the century from North America, either due to trade relations, but mainly to emigration.

A comercialização do Bordado de S. Miguel deve-se à iniciativa privada do maior grupo empresarial dos Açores, pertencente à família Bensaúde, nos anos 30 do séc. XX, que desenvolveu uma indústria artesanal vocacionada para exportação e cujo desenvolvimento não poderá ser dissociado da indústria de faiança pintada
[i]

The marketing of Embroidery S. Miguel is due to the largest private corporate group in Azores, which  belongs to Bensaude Family, in the 30 century. XX, which has developed a craft industry dedicated to export and whose development can not be separated from painted faience industry [i] 

Os primeiros trabalhos de bordados e faianças foram apresentados em Lisboa em 1932, no Salão da Ilustração Portuguesa. Todos estes trabalhos foram mais tarde apresentados na Exposição do Mundo Moderno, em Paris, 1947.

The first works of embroidery and pottery were presented in Lisbon in 1932. All these works were later presented in the Modern World Exhibition in Paris, 1947. 

Hoje o bordado típico da ilha de S. Miguel recria em matiz, os motivos das velhas porcelanas orientais – raminhos chineses, florinhas, algumas aves – voltados dos cantos para o centro, formando ramos soltos, alternando uns maiores com outros mais pequenos. Usando dois tons de azul de fio mouliné de algodão (Anchor 508 e 510), ou filosela (fio de seda) sobre tecido de linho ou algodão ou cambraia branca.

O remate é feito em ponto caseado (liso ou bastido?) ou recorte invertido, executado sobre a borda do tecido voltada para o avesso, que é aparada no final.
hemConseguem ver?

As peças mais antigas eram, no entanto, bordadas a matiz em filosela ou algodão em cores vivas. [ii]

Today the typical S. Miguel embroideries recreates in needle-painting (long and short stitches) , the motives of the old oriental porcelain – Chinese sprigs, little flowers, some birds – facing from the corners to the center, forming loose branches, alternating with other larger and smaller ones. Using two shades of blue thread mouliné cotton (Anchor 508 and 510), or filoselle (silk) on linen or cotton or batiste, all white.

The hem is done in inverted  buttonhole stitch or blanket stitch (plain or bastido?) , run over the edge of the fabric folding to the wrong side, which is trimmed at the end.
hem2Can you see?

The oldest pieces were embroidered, however, in long and short stitches with filoselle or  cotton in bright colors.  [ii]

[i] Do artigo Bordados dos Açores – Produto Certificado – por Alexandra Andrade – in Fios, formas e memórias dos tecidos, rendas e bordados

[ii] In Bordados dos Açores – Bordado de S.Miguel – textos de Alexandra Andrade.

Os bordados de S. Miguel serão, por ventura, os mais conhecidos.
S. Miguel Embroideries  will be the best known, perchance.

Bordado de S. Miguel Açores

Foto do livro – Bordados dos Açores. Mas a Mariamana traz-me tanta coisa de S. Miguel, que nem preciso de copiar pelo livro.
Photo from  Bordado dos Açores book. But Mariamana brings me so much of S. Miguel embroideries, I do not even need to copy from the book.
Bordado de S.MiguelBordado de S. MiguelBordados e porcelana pintada de S. Miguel  – foto minha; S. Miguel Embroideries and painted faience – picture by me.
Bordado antigo de S. MiguelBordado antigo de S. MiguelOldest embroideries / Bordados mais antigos from Bordados dos Açores book.
This last picture is the last embroidery my sister brought to me. It’s embroidered in white and grey silk on blue linen and the hem are not in inverted buttonhole stitch.Bordado de S. Miguel diferenteTalvez um olhar mais moderno do Bordado de S. Miguel.
Maybe a new-look of S. Miguel embroideries.

Coisas curiosas / Curious things (cont. 5 III)

Para terminar esta série de experiências à volta do ponto pé de flor suspenso – assim chamado e usado no Bordado das Caldas da Rainha – (“imbotitto” em italiano) tentei executá-lo, embora não tenha nenhuma explicação nem foto. Quando estive com a Liseta Pereira vi um bordado dela com este ponto, mas não fotografei.
To end this series of experiments around raised stem stitch – so named and used in embroidery of Caldas da Rainha – I tried to do it, although I have no explanation or photo to see how to.When I was with Liseta Pereira saw this stitch in one of her embroideries, but no photo…capelista das termas - Liseta Pereira(esta foto é do facebook da Liseta – cliquem nela para verem mais fotos na sua página)
(this picture is from Liseta facebook – click on it to see more in her page)
Parece-me que a base da coroa do terceiro saco a contar da esquerda pode ser em ponto pé de flor suspenso, mas não tenho a certeza.
I guess the crown base on third bag from the left can be raised stem stitch, but I’m not sure.

Ponto pé de flor suspenso - Caldas da Rainha 1Ponto pé de flor suspenso - Caldas da Rainha 2Contornei uma forma com ponto pé de flor e passei os fios verticais no ponto pé de flor, com linha simples, não dupla como no Le Ruote do Punto Umbro. Não sei se é exatamente assim que se faz nas Caldas da Rainha. Será Liseta? Penso que sim.
 I went around the design with stem stitch where I’ve supported the grid with single thread, not double as in Le Ruote in Punto Umbro. I’m not sure  if it is done that way in Caldas da Rainha. Is it Liseta? I think it is.

Ao fazer este pequeno motivo, lembrei-me de fazer de outra maneira:
Making this small motif, I remembered to try  another way:
Ponto pé de flor suspenso - Caldas da Rainha 3Ponto pé de flor suspenso Caldas da Rainha 4Ponto pé de flor suspenso - Caldas da Rainha 5Ponto pé de flor suspenso - Caldas da Rainha 6Ponto pé de flor suspenso - Caldas da Rainha 7
Quer num caso, quer no outro fiz sempre o ponto pé de flor suspenso da esquerda para a direita, passando a linha por baixo das linhas verticais.
In both ways I’ve always done raised stem stitch from left to right, passing needle and thread under the vertical lines.
Ponto pé de flor suspenso - Caldas da Rainha 8Como as primeiras carreiras do ponto me parecem muito largas, intercalei mais linhas verticais, para tornar o ponto pé de flor suspenso mais pequeno.

As the first rows of raised stem stitch seem too large, I’ve done more vertical lines,so the stitch look better.
Ponto pé de flor suspenso Caldas da Rainha 9Não está perfeito. Parece-me que a primeira forma é a correta no Bordado das Caldas e fica melhor. Tem que se ter atenção às extremidades para  ficarem perfeitas, não puxando demasiado o fio.
It’s not perfect. I think the first way is the right way  in Caldas da Rainha Embroidery and looks better. We have to pay attention to the ends making them perfect, not pulling the thread too much.

Concluindo: Concluding:

A grande diferença entre a maneira como fiz o ponto pé de flor suspenso, e a Mary Corbet terá também feito, está no avesso quer no Bordado das Caldas da Rainha, quer no italiano Punto Umbro o Sorbello o Portoghese.
The biggest difference between the way I made Raised stem stitch, and Mary Corbet have also done, is on the back of embroidery either in the Portuguese Bordado das Caldas da Rainha or in the Italian Punto Umbro o Sorbello o Portoghese.
Caldas da Rainha e Le Ruote avesso 10E é tudo acerca deste tema, a não ser que queiram acrescentar algo. Sintam-se à vontade para comentar! Estes postais levaram demasiado tempo a escrever. Desculpem se ficou confuso.
And it’s all on this subject, unless you want to add something. Feel free to comment! These posts took too long to write. Sorry if it was confusing.

O mês de Agosto acabou e foi negro e triste até ao fim – o nosso país a arder e nós a perder amigos queridos.
The month of August went on sad till the last day – our country on fire and we loosing beloved friends.

Inspirations issue 79 is there!

Inspitrations magazine issue 79

Penso que todas vós já terão ouvido falar na revista Australiana INSPIRATIONS! É uma revista de bordados magnifica. Cada número tem imensos projectos desenhados e executados por nomes bastante conhecidos em todo o mundo. Cada projecto tem instruções, passo a passo, para a sua execução. Country Bumpkin é o site e loja on-line que, além de editar  revistas e livros de bordados, tem também tecidos, kits, prendas, e muito material de qualidade para bordados.
Já há alguns anos que me inscrevi como membro e recebo sempre a newsletter.
Se procurarem bem na capa e nos kits disponíveis lá encontrarão um projecto de Bordado de Guimarães, desenhado pela professora Maria José Freitas e executado por mim! Quando fui contactada, há cerca de um ano, nem queria acreditar, como podem imaginar!
I think all of you have already heard of the Australian magazine INSPIRATIONS! It always has magnificent embroideries. Each issue has many projects designed and executed by well-known names around embroidery world. Each project has step by step instructions. Country Bumpkin is a site and on-line shop and has a real shop in South Australia.  There you can find high quality supplies for embroidery: magazine and embroidery books, fabrics, kits, gifts, and so on.
Some years ago I signed up as a member and always get the newsletter since then. If you look at the cover of the issue 79 and kits available you’ll find a project of Guimarães Embroidery, designed by teacher Maria José Freitas and handmade by me! When I was contacted, about a year ago, you can imagine how I hardly believed it!

Inspirations embroidery kits

Há alguns anos tive, como prenda de Natal, uma assinatura da revista, por um ano. Para nós a assinatura fica cara, sobretudo devido aos portes de correio. Mas há uma ótima notícia que agora é cada vez mais frequente encontrar: assinar a revista como download! O que fica muito mais económico e é instantaneo. Depois só se imprimem os projetos que mais nos interessa.
A few years ago I had a magazine subscription for a year, as a Christmas gift . For us the subscription is expensive, mainly due to shipping. But here is great new which now is common to find: subscribe to the magazine downloading! It’s  cheaper and quicker! So you can only print the projects you want.
Inspirations magazineClick on the picture or here, if you want a digital subscriptions – it’s worth to visit all the site Country Bumpkin.
Clicar na foto ou aqui, se quiser fazer uma assinatura digital – vale a pena visitar o site Country Bumpkin.

Um enorme obrigada a toda a equipa editora da revista e da paciência que tiveram comigo e com o meu mau inglês. E as montanhas de fotos e emails que vos enviei!

A huge thank to all the editor team for your patience with me and my bad English. And with the zillions of photos and emails I sent to you! :)