A real Portuguese Treasure!

Arnold’s Attic

This unique booklet of embroidery and drawnwork, was created in Portugal in the early 17th century. Size 8 inches x 6 inches.

The techniques include cross stitch, reticello, drawnwork, satin stitch, knots and bullion stitch.

At some point fairly early in its history, the many small pieces of fabric included in this booklet were seamed together and loosely bound, to create a kind of glossary of colored and monochrome openwork patterns. Scraps of silk, glove leather and writing paper with Portuguese text were employed to stabilize the pages. The recycling of materials and the compact nature of the booklet all suggest that this was a purely practical reference work for a professional seamstress, and was not meant for display. Some of the patterns are worked in double running stitch, also referred to as “Spanish stitch,” reflecting its possible origin on the Iberian peninsula in the sixteenth century.

Made from linen, silk, leather and paper.

Image courtesy: https://www.metmuseum.org/art/collection/search/221650

21 Março | March 21 Dia Internacional contra a discriminação racial Internacional Day Against Racial Discrimination

TODAS, TODAS! AS LÁGRIMAS HUMANAS SÃO IGUAIS
de CRIANÇAS, MULHERES OU HOMENS

ONDE QUER QUE VIVAM CRESÇAM E MORRAM

Nem sinais de negro              No signs of black
Nem vestígios de ódio            Not hate traces
Água quase tudo                    Water almost everything
E cloreto de sódio.                  And sodium chloride.

Lágrima de preta | Black Tear

Encontrei uma preta          I found a black woman
Que estava a chorar            Who was crying
Pedi-lhe uma lágrima         I asked her for a tear
Para analisar.                       To analyze.

Recolhi a lágrima                 I picked up the tear
Com todo o cuidado             With great care
Num tubo de ensaio             In a test tube
Bem esterilizado.                  Well sterilized.

Olhei-a de um lado              I looked at her from the side
Do outro e de frente            On the other and facing
Tinha um ar de gota             It looked like a drop
Muito transparente.             Very transparent.

Mandei vir os ácidos              I order the acids
As bases e os sais                  The bases and salts
As drogas usadas                   The drugs used
Em casos que tais.                  In such cases.

Ensaiei a frio                           I checked in the cold 
Experimentei ao lume             I tried it on fire
De todas as vezes                    Of all times
Deu-me o que é costume.        It gave me what is usual.

Nem sinais de negro              No signs of black
Nem vestígios de ódio            Not hate traces
Água quase tudo                    Water almost everything
E cloreto de sódio.                  And sodium chloride.

[tradução minha; não sou tradutora e, muito menos poeta, atrevida me confesso]
[my translation; I’m not a translator and, much less a poet, bold I confess]
Um poema de António Gedeão, cantado por António Correia de Oliveira
meu poeta e meu cantor preferido – há muito um dos meus poemas preferidos de Gedeão, cantado por um dos meus cantores favoritos – tantas saudades

A poem by António Gedeão, sung by António Correia de Oliveira
my poet and my favorite singer – for long one of my favorite poems by Gedeão, sung by one of my favorite singers –  miss them so much .

Memórias

Os meus pais nasceram no princípio do sec. 20, 1902 e 1904, em monarquia. Cresceram na transição para a República. Viveram a I Guerra Mundial, a Guerra Civil Espanhola, a II Guerra Mundial.
Entretanto tiveram emoções muito pessoais – minha mãe tinha 15 anos quando a sua mãe morreu com tifo, meu pai foi diagnosticado com diabetes juvenil aos 25/26 anos, quando terminava o seu curso de medicina, à qual sobreviveu pela descoberta da insulina em 1921. Casaram no início dos anos 30, perderam a primeira filha com nove meses de uma gastroenterite. Tiveram uma segunda filha em 35. Cerca de três anos depois meu pai tuberculizou tendo ido para o Caramulo, onde, sendo diabético, não podia ter a alimentação comum. Minha mãe, com ajuda das duas famílias separou-se da filha e acompanhou o meu pai nesses 5 anos de estadia no Caramulo, aprendendo a detetar hipoglicemias, a ferver seringas de vidro, a corresponder-se com o Dr. Ernesto Roma para ser orientada quanto a doses de insulina e alimentação correta. Durante esses anos o meu pai trabalhou com os médicos e doentes (tornando mais “leve” os custos do seu internamento) estudou, aprendeu sempre ávido de aprender mais e mais. A minha mãe aprendeu a revelar radiografias! Meu pai acompanhava avidamente as pesquisas da Ciência e exultava perante cada avanço, pequeno que fosse. Curado da tuberculose voltam a casa. Começam a refazer a sua vida interrompida e em 42 têm mais uma filha. Em 47 o meu pai inscreve-se num congresso internacional na Suíça e lá vão os dois e não resistem a visitar Paris e ficam deslumbrados. Nasci no segundo mês de 48! Vim em idade muito tardia o que foi, para os pais, preocupante. Nenhuma destas memórias nos foi ocultada.
Penso que fui fruto da sensação de Liberdade que sentiram, que em Portugal não se vivia. Digo sempre que eu vim mesmo de França, na barriga da minha mãe.
Ao longo da minha vida sempre que ouço lamentos disto e daquilo lembro-me desta vida sempre empurrada para a frente. Nestes dias assustadores que vivemos em 2022 vou-me lembrando…
Hoje faz 89 anos que casaram