Bordados dos Açores / Azorean Embroideries

Bordados dos Açores   edição da Secretaria de Estado da Economia Centro Regional de Apoio ao Artesanato/2008

Bordados dos Açores
edição da Secretaria de Estado da Economia
Centro Regional de Apoio ao Artesanato/2008
 Azorean Embroidery
edition of the State Secretariat for Economic Affairs 

Regional Centre for Handicrats /2008

Fios

Fios – Formas e Memórias dos Tecidos, Rendas e Bordados
Instituto de Emprego e Formação Profissional – 2009
Threads – Shapes and Memories of Fabrics, Lace and Embroidery
Institute of Employment and Vocational Training – 2009

A Mariamana ofereceu-me estes dois livros há meses. Devido aos problemas com os olhos não peguei logo neles. Hoje vou falar dos Bordados de S. Miguel
Mariamana gave me these two books  for months. Due to my problems eyes did not catch them immediately. Today I will talk about S. Miguel Embroidery ( Azores islands: ilha S. Miguel, ilha do Pico, ilha da Terceira, Ilha do Faial, ilha das Flores, ilha de S. Jorge, ilha Graciosa, ilha de Sta Maria e ilha do Corvo,) Azores islands are just wonderful! (I only know S. Miguel island!)

Um pouco de História

O Arquipélago dos Açores, descoberto pelos Portugueses no séc. XV , com as suas 9 ilhas, representa uma diversidade geográfica e, por consequência, também cultural muito rica.
O povoamento das ilhas, então desertas, torna-se muito importante nas rotas do Atlântico Norte, inicialmente de Portugal e Espanha e, posteriormente da Flandres e países do norte da Europa. A rota do Mediterrâneo vai perdendo a forte influência que tinha.
As rotas do Atlântico estendem-se e fazem com que o arquipélago dos Açores ganhe uma riqueza cultural diversificada devido ao cruzamento de culturas.
The Azores Islands, discovered by the Portuguese in the 15th century, with its nine islands, represent a geographical diversity and therefore very rich culture  as well.
The settlement of the islands, then deserted, becomes very important on the North Atlantic routes, originally from Portugal and Spain, and later in Flanders and northern countries of Europe. The route of the Mediterranean gradually loses the strong influence it had.
The Atlantic routes extend and make the Azores islands get a diverse cultural richness due to the crossing of cultures.

A arte de bordar liga-se à mais antiga arte artesanal dos Açores – a tecelagem.
Inventários da fidalguia da época registam a existência de indústria caseira de tecelagem e bordados. As peças tanto eram para uso caseiro como para uso religioso. A partir do séc. XVIII o linho e algodão começa a ser importado da Flandres e eram também fornecido os modelos da época, que eram copiados nas ilhas . Também outras influências se foram sentindo: Índia, Inglaterra, Brasil e já no séc. XIX da América do Norte, quer devido a relações comerciais, mas principalmente à emigração.

The art of embroidery binds to oldest craftsmanship of Azores – weaving.
Inventories of the nobility of the time record the existence of cottage industry of weaving and embroidery. The pieces were both for home or for religious use. From the 18th century linen and cotton fabrics began to be imported from Flanders and were also comes models of the time fashion, who were copied on the islands. Also other influences were feeling: India, England, Brazil and already in 19th the century from North America, either due to trade relations, but mainly to emigration.

A comercialização do Bordado de S. Miguel deve-se à iniciativa privada do maior grupo empresarial dos Açores, pertencente à família Bensaúde, nos anos 30 do séc. XX, que desenvolveu uma indústria artesanal vocacionada para exportação e cujo desenvolvimento não poderá ser dissociado da indústria de faiança pintada
[i]

The marketing of Embroidery S. Miguel is due to the largest private corporate group in Azores, which  belongs to Bensaude Family, in the 30 century. XX, which has developed a craft industry dedicated to export and whose development can not be separated from painted faience industry [i] 

Os primeiros trabalhos de bordados e faianças foram apresentados em Lisboa em 1932, no Salão da Ilustração Portuguesa. Todos estes trabalhos foram mais tarde apresentados na Exposição do Mundo Moderno, em Paris, 1947.

The first works of embroidery and pottery were presented in Lisbon in 1932. All these works were later presented in the Modern World Exhibition in Paris, 1947. 

Hoje o bordado típico da ilha de S. Miguel recria em matiz, os motivos das velhas porcelanas orientais – raminhos chineses, florinhas, algumas aves – voltados dos cantos para o centro, formando ramos soltos, alternando uns maiores com outros mais pequenos. Usando dois tons de azul de fio mouliné de algodão (Anchor 508 e 510), ou filosela (fio de seda) sobre tecido de linho ou algodão ou cambraia branca.

O remate é feito em ponto caseado (liso ou bastido?) ou recorte invertido, executado sobre a borda do tecido voltada para o avesso, que é aparada no final.
hemConseguem ver?

As peças mais antigas eram, no entanto, bordadas a matiz em filosela ou algodão em cores vivas. [ii]

Today the typical S. Miguel embroideries recreates in needle-painting (long and short stitches) , the motives of the old oriental porcelain – Chinese sprigs, little flowers, some birds – facing from the corners to the center, forming loose branches, alternating with other larger and smaller ones. Using two shades of blue thread mouliné cotton (Anchor 508 and 510), or filoselle (silk) on linen or cotton or batiste, all white.

The hem is done in inverted  buttonhole stitch or blanket stitch (plain or bastido?) , run over the edge of the fabric folding to the wrong side, which is trimmed at the end.
hem2Can you see?

The oldest pieces were embroidered, however, in long and short stitches with filoselle or  cotton in bright colors.  [ii]

[i] Do artigo Bordados dos Açores – Produto Certificado – por Alexandra Andrade – in Fios, formas e memórias dos tecidos, rendas e bordados

[ii] In Bordados dos Açores – Bordado de S.Miguel – textos de Alexandra Andrade.

Os bordados de S. Miguel serão, por ventura, os mais conhecidos.
S. Miguel Embroideries  will be the best known, perchance.

Bordado de S. Miguel Açores

Foto do livro – Bordados dos Açores. Mas a Mariamana traz-me tanta coisa de S. Miguel, que nem preciso de copiar pelo livro.
Photo from  Bordado dos Açores book. But Mariamana brings me so much of S. Miguel embroideries, I do not even need to copy from the book.
Bordado de S.MiguelBordado de S. MiguelBordados e porcelana pintada de S. Miguel  – foto minha; S. Miguel Embroideries and painted faience – picture by me.
Bordado antigo de S. MiguelBordado antigo de S. MiguelOldest embroideries / Bordados mais antigos from Bordados dos Açores book.
This last picture is the last embroidery my sister brought to me. It’s embroidered in white and grey silk on blue linen and the hem are not in inverted buttonhole stitch.Bordado de S. Miguel diferenteTalvez um olhar mais moderno do Bordado de S. Miguel.
Maybe a new-look of S. Miguel embroideries.

20 thoughts on “Bordados dos Açores / Azorean Embroideries

  1. O meu enxoval é uma mistura de peças com bordado e rendas açorianas, com bordados do norte de Portugal. Tenho a sorte de ter pai açoriano e mãe de Rio Tinto.
    Tenho de pedir à família, residente em S.Miguel, um exemplar deste livro!
    Obrigada pela partilha.

    • É muito bonito, Helena! E há mais dois posts, pelo menos, para escrever sobre os bordados dos Açores!

  2. mais uma lição. Conheço o bordado mas fiquei baralhada – “remate feito em ponto caseado (até aqui tudo bem) liso ou bastido?? ou recorte invertido?? Como tenho am mãos uma peça que precisa de recortes nas pontas tenho de ir tentar saber, dar-lhe outra utilidade não vai chocar o bordado em si.

    • O remate é em curvas e o ponto caseado ou recorte é invertido , ou seja marca-se uma pequena bainha a toda a volta do pano, desenham-se as curvas e faz-se o ponto invertido sobre duas camadas de pano. Gostaria muito de ver as bordadouras fazer pois não deve ser fácil. O liso ou bastido, não faço ideia do que é, mas não tive tempo de ir pesquisar mais. Pode ser que alguém saiba!
      No Richelieu normalmente os contornos são feitos com o caseado para fora e recorta-se, não é?. Vou ver se peaquiso alguma coisa.

  3. Oi Méri, excelente artigo. Também fiquei muitíssimo interessada em entender como é feito este caseado invertido! Não consigo entender bem como seria a execução… Nem me lembro de já ter visto ou escutado falar sobre esta maneira de fazer acabamentos. O pior é que não faço a menor ideia de como começar a procurar! Mas, consigo me lembrar de algumas peças que vi, com um acabamento feito com caseado tão perfeito que parece ser impossível ter sido recortado – nunca tinha pensado que poderia ser feito do modo que você descreve! Vou procurar também!

  4. This is beautiful,Meri. Thinking about the influence of India in Portugal, I am curious if portuguese embroidery techniques have been adopted in India,especially Goa. I’ll share if I find anything worth reading :)

    • Hi Deepa! How are you? Im missing you and your posts!!!
      Yes may be in Goa you can find something. Thanks for your interest :)

  5. Que bela inspiração!! Há que tempos que ando a adiar este artigo… O do bordado a palha esteve quase para sair, mas queria umas fotos bonitas e não encontro… Só no livro!
    O bordado das hortenses é lindo de morrer!!! FIco à espera dos próximos!!

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