Correios / Post Offices

Tal como a Rita (não sei se já encontraram a encomenda dela) estou indignada com o desaparecimento de duas caixas enviadas para a Holanda a 10 de Janeiro de 2014, para o meu filho! Já há muito, devido ao mau funcionamento dos correios da Holanda, que não deixam avisos, decidimos enviar sempre as encomendas para o escritório onde ele trabalha e onde está sempre gente para receber as encomendas. Acontece que, desta vez, nada se consegue saber das encomendas. Lá ele diz que não há correios, cá dizem-nos que enviaram por uma empresa ligada aos CTT e que estão a averiguar. Também fizemos a reclamação formal. Só conseguimos seguir a encomenda até Lisboa onde foi entregue ao serviço internacional! Mas, que diabo, não sabem referenciar a empresa a quem entregaram as encomendas?

Na Holanda consta-me que os serviços de correio são maus há muito tempo (1989 – Os correios holandeses são privatizados pela PPT Nederland.)
Um serviço que funcionava exemplarmente e que dava lucro ao Estado Português como os CTT Portugueses, para que foi privatizado??? Para se tornar num mau serviço? É que lá na Holanda o meu filho não sabe onde ir procurar e/ou protestar porque cá não informam a que empresa distribuidora entregaram as encomendas! Isto é de doidos!

Da Austrália não recebi a revista nº80 da Inspirations Magazine cuja subscrição me foi oferecida pela colaboração do Bordado de Guimarães publicado na Inspirations Magazine nº79 e que me chegou atempadamente. De lá foi-me garantido, e eu acredito, que a enviaram e foi comfirmada a morada. Está a ser distribuida a revista nº 81 – a ver se chega! A nº 79 se calhar chegou porque ainda eram os bons velhos tempos dos nossos CTT…

Os serviços de  correios da UK posso afirmar que têm sido bons! Não há queixas – sabem sempre  com que empresas trabalham e informam.
Isto é um desabafo, mas realmente numa das encomendas eles tinham coisas importantes, na outra, enfim eram roupas para a neta e livros, recebidos no Natal e que que não cabiam nas malas, mas também importantes. É que nem sequer devolvem!!!E se não devolvem que podemos pensar que aconteceu??? Nada de bom. Aguardemos um pouco mais… a Post/EMS tracking para seguir a encomenda não tem informação nenhuma! Então as encomendas ainda estão em Lisboa EMS???

CTT Lisboa EMS e depois????

CTT Lisboa EMS
e depois????

Gostavamos muito de ter respostas concretas aos vários emails enviados.

Estou muito mal disposta!  Mas um bom fim de semana para todos!

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Difícil e lento / Difficult and slow

Esta recuperação vai levar tempo. A agulha está sempre a cair-me das mãos!
This repair will take time. The needle is always falling out of my hands!

recuperação - linha mais grossaEstas brides estavam condenadas. Tornavam o bordado muito grosseiro.
These bars were doomed. The embroidery becomes very rude.
repair linha finaSeguindo uma dica duma leitora resolvi usar um fio de linha Mouliné e fazer as brides em rolinho, como no original. O resultado foi péssimo, pois custa-me muito fazer o rolinho, embora concorde que ficaria melhor. Para além do mais estava com uma camisola de lã que largava pêlo – erro tremendo para uma bordadeira, claro que alguns pêlos de lã foram apanhados no rolinho – também estes condenados a ser desfeitos.
Following a tip from a reader I decided to use a strand of Mouline to make the overcasting bars, as in the original. The result was bad, because it’s difficult to  me at the moment making good work, although I agree it would look better. Furthermore I was with a woolen fur sweater – a tremendous mistake for an embroiderer; of course some hairs of wool were caught in the rolls – they also doomed to be undone.

Resolvi então começar a fazer as brides com cotton à broder nº 30 (fino) e fazer em ponto recorte que, apesar de tudo, é mais fácil fazer. Como sabem estas brides são feitas sem apanhar o tecido, mas o tecido está lá para manter o bordado esticado e só depois é que é cortado – esta é uma  grande dificuldade : manter as aberturas originais do trabalho. Não está nada perfeito, mas enfim!
 Then I decided to start doing the bars with cotton à broder # 30 (fine) done in buttonhole stitch, though, it is easier to do. As you know these bars are made without catching the fabric, but the fabric is there to keep the embroidery stretched and only when all the embroidery is done the cutting begin – this is a great difficulty: keeping the original work openings. There is not  perfect at all, but anyway it’s done.
ANTES / BEFORE
repair antesDEPOIS / AFTER
4 repair depoisTenho que arranjar (aliás já arranjei) outro tipo de bordado, mais pequeno e com linha mais grossa, doutro modo ficarei neura.
I have to get (actually already got) another type of embroidery, smaller and with a thicker thread, otherwise I’ll be unwell.

Corações / Hearts

Hoje vejo tantos corações por todo o lado que resolvi mostrar, mais uma vez ,os corações que fiz e desejar um bom fim de semana  não só a todos namorados , mas a todos o que têm uma paixão pelo quer que seja e estejam enamorados por algo.

Por aqui passam muitos leitores enamorados e com paixão pelos bordados. Muito obrigada a todos que têm a paciência de me acompanhar.
corações de Viana do Castelo
corações de Guimarães

Today I see so many hearts everywhere that I decided to show, once again, the hearts I’ve done and wish you a good weekend everyone not only lovers, but everyone who have a passion for whatever.
To my blog come many lovers and readers with a passion for embroidery. Thanks to all who have the patience to accompany me.

corações de Guimarães

Recorte invertido / Inverted Buttonhole stitch

O remate é feito em ponto caseado (liso ou bastido) ou recorte invertido, executado sobre a borda do tecido voltada para o avesso, que é aparada no final.
The hem is done in inverted buttonhole stitch or blanket stitch (plain or padded) , run over the edge of the fabric folding to the wrong side, which is trimmed at the end.

Este parágrafo da entrada sobre os Bordados de S. MIguel fez-me confusão pois não compreendia o que era o liso e bastido, nem o recorte invertido. Também nos comentários surgiram muitas dúvidas.
Tenho agora a resposta (já tinha, mas não procurei, como devia).
That paragraph on Embroidery S. MIguel post made ​​me confused because I did not understand what was plain and bastido or invert buttonhole. Also in the comments emerged many doubts.
Now I have the answer (already had, but did not looked for as I should).

Percebi primeiro que o bastido que o livro do Bordado dos Açores refere é o que aqui, no norte, se chama enchimento e o liso é o contrário, sem enchimento.
First I  realized that bastido referred in  the book Azorean Embroideries means padded, and liso is the contrary not padded.

Aqui está o Ponto cheio liso  também designado, por vezes, por Ponto lançado;
Here is Plain satin stitch  sometimes named as Straight stitch.


E aqui o ponto cheio com enchimento ou bastido.
And here the Padde Satin Stitch.

Depois a minha amiga MLB de Sintra apontou-me a Enciclopédia da Agulha- 3ª edição, livro que encontrei num alfarrabista, em Braga, há já uns anos. E lá encontrei como se faz o remate com o recorte invertido do Bordado de S. Miguel – embora o termo  invertido não seja referido.
Todas as fotos a partir daqui são da Enciclopédia da Agulha – 3ª edição (infelizmente não sei a data da edição.

Then my friend MLB from Sintra pointed me to the book  Enciclopédia da Agulha (Encyclopedia of the Needle) -3rd edition that I found in a book-scout in Braga, some years ago. And there I found how to make the hem with the inverted buttonhole in S. Miguel Embroidery – although the term  inverted is not mentioned.
All photos are from the Encyclopedia of the Needle – 3rd edition (unfortunately do not know the date of issue)

S. Miguel hem

S. Miguel hem

.???????????????????????????????Trying to translate how to make the hem:
You must transfer the drawing to the linen leaving a piece of this linen with enough height to fold to the back side. The part that folds up is fixed when outlining the drawing as shown at #2
Then do the buttonhole stitch turning this to the person that is embroidering, as shown at # 3.
Instead of Buttonhole stitch you  can can do Satin Stitch as indicated.


Está confuso? Vou ver se consigo fazer uma amostra em breve. Digam coisas!
Are you confused? I’ll see if I can get a sample soon. Say  something in the comments bellow!

 

Bordados dos Açores / Azorean Embroideries (III)

Palha de trigo/ weath staw

Palha de trigo/ weath staw

(You can click on the pictures) (Podem clicar nas fotos)

1 – Rachadores, 2 – Fio de piteira (?), 3 – Furador e dedeira, 4 – Palha de trigo
1 – Choppers, 2 – Thread of maguey, (?) 3 – Awl and finger cot(?), 4 – Wheat Straw

O que é tudo isto??? A apresentação do Bordado a Palha de Trigo da Ilha do Faial!
What is all this???  The presentation of Embroidery with wheat straw from Faial Island!

Segundo Alexandra Andrade, autora dos artigos sobre Bordados dos Açores, nos livros abaixo referidos, “a emigração foi determinante no surgimento do quase inédito “ Bordado a Palha de Trigo da ilha do Faial”, também designado por “renda de pita”.
No Arquivo dos Açores há o registo do primeiro exemplar que remonta a 1850. Terá sido um chapéu de senhora de seda preta bordada a palha que foi enviado por Mr. Hasper, residente em Boston (EUA), a sua irmã, residente na Horta, supostamente para averiguar da viabilidade de produção de trabalhos deste género na ilha do Faial. A senhora que estudou a urdidura desse bordado (D. Joana E. Ferreira) transmitiu-o a várias bordadeiras, tendo impulsionado uma nova indústria que já tinha mercado à espera. Confecionavam xailes, mantilhas, mantas de pescoço, lenços, chapéus e vestidos decorados a palha sobre tule de seda ou algodão branco ou preto. Os trabalhos também foram divulgados em Paris e muito apreciados ao nível das casas de alta-costura.
A palha de trigo dos Açores apresenta características próprias, como o brilho e a cor.”
According to Alexandra Andrade, author of articles about Azorean Embroideries, in the two books mentioned below , ” emigration was instrumental in the emergence of the almost unprecedented Embroidery with Wheat Straw from Faial island, ” also called” lace in pita “.
Files in the Azores there is the record of the first issue dating back to 1850 . It have been a lady  hat embroidered on black silk with straw which was sent by Mr. Hasper, living in Boston ( USA ), to his sister, living in Horta, supposedly to investigate the feasibility of producing of this kind of work in Faial Island. The lady who studied the warp of this embroidery ( D. Joana E. Ferreira ) forwarded it to several embroiderers , having driven a new industry that already had a market waiting . They embroidered shawls, mantillas, neck  scarves, hats and dresses decorated  with straw on cotton or silk tulle white or black . The work was also published in Paris and much appreciated by haute couture maisons.
The wheat straw from Azores presents its own characteristics such as brightness and color.”
As mulheres faialenses usavam, vulgarmente, véus e mantilhas nas cerimónias religiosas. Feitos em fino tule de algodão ou seda preto (hoje difícil de obter) tinha uma consistência fluida, caindo naturalmente sobre os ombros parecendo pairar sobre ele, em vez de a ele estar aprisionado. É de evitar a utilização do tule de nylon em substituição do tule de algodão, da mesma forma que não é aconselhável o emprego de um fio têxtil em substituição do fio da piteira no desenho das finas ramagens. Estes materiais nem sempre são obtidos com facilidade, tal como a palha de trigo, mas tornam-se imprescindíveis para a dignificação do produto e garantia de qualidade face a um mercado cada vez mais exigente. A matéria-prima é preparada pela própria bordadeira que sabe como obter a cor e a textura desejada de forma a facilitar a execução sem descurar a perfeição técnica e a harmonia estética. A loira palha de trigo  pode ser tingida com açafroa de forma acentuar o tom dourado, é amassada e separada em tiras finas com um rachador de madeira ou osso, após o que estará pronta a ornamentar o tule, desenhando simples motivos vegetalistas de efeito visual surpreendente.”

The women from  Faial Island wore commonly  veils and headdresses in religious ceremonies. Made in fine tulle of black cotton or silk (now difficult to obtain ) had a fluid consistency  falling naturally on the shoulders seeming to hover over it, instead of being imprisoned to it. It’s good to avoid the use of nylon tulle netting in place of the cotton as well as it is not advisable to use any other kind of thread  in substitution of thread of maguey in the design of the thin branches. These materials are not always obtained easily, such as wheat straw, but it becomes indispensable to the dignity of the product and quality assurance in the face of an increasingly demanding market. The raw material is prepared by each embroiderer who knows how to get the color and texture desired in order to facilitate the implementation without neglecting technical perfection and aesthetic harmony. The blonde wheat straw can be dyed with safflower so emphasize the golden tone, is mixed and separated into thin strips with a chopper of wood or bone strips, and it will be ready to adorn the tulle, drawing simple plant motifs of an  amazing visual effect. “

And let’s see the photos I selected from  the two books and tell me if you had ever seen something similar.
E vamos ver as fotografias que selecionei dos dois livros e digam-me, se já tinham visto algo do género.
In white tulle/ em tule branco

bordado-do-faial-3 Three tons of gold três tons de oiro

bordado-do-faial-3
Three tons of gold
três tons de oiro

O meu preferido em tule preto / my favorite in black tulle:

Bordado-do-Faial-4

Bordado-do-Faial-4

Did you like these posts about Azorean Embroideries? Hope so! 
Gostaram desta série sobre  Bordados Açoreanos? Espero que sim!

Só vos digo que eu fiquei com uma enorme vontade de ir de novo a S. Miguel, à Terceira e ao Faial, exclusivamente para falar com quem sabe destes bordados, pois fiquei com imensas dúvidas!Tenham uma boa semana!
I only tell you that I got a strong desire to go back to S. Miguel, to Terceira and to Faial exclusively to speak with who really knows about these embroideries, because I got lots of questions!Have a great week! 


Bibliografia/ Bibliography:
Fios – Formas e Memórias dos Tecidos, Rendas e Bordados
Instituto de Emprego e Formação Profissional – 2009
Threads – Shapes and Memories of Fabrics, Lace and Embroidery
Institute of Employment and Vocational Training – 2009

Bordados dos Açores
edição da Secretaria de Estado da Economia
Centro Regional de Apoio ao Artesanato/2008
 Azorean Embroidery
edition of the State Secretariat for Economic Affairs 
Regional Centre for Handicrats /2008

 

Bordados dos Açores / Azorean Embroideries (II)

Vou basear-me nos dois livros referidos na anterior entrada sobre os Bordados dos Açores para vos falar nos Bordados da Terceira.
cliquem nas fotos para verem melhor

I’ll base on both books mentioned in the previous post about Azorean Embroideries to talk about Terceira Embroideries.
you can click on the pictures to see better.

Basicamente o Bordado da Terceira é tradicionalmente referido como bordado a branco. No bordado a branco não são os pontos usados que o definem especialmente, pois são pontos usados por todas as bordadeiras das Ilhas e de Portugal Continental e de todo o Continente Europeu. Este tipo de bordado aparece com o classicismo de finais do séc. XVIII. É o tipo de bordado mais recomendável para as roupas de casa.
Tecidos brancos de linho, algodão, musselina, cambraia, popelinas são usados no bordado a branco, designadamente o bordado inglês (broderie anglais) que ornamenta não só a roupa de casa (monogramas em lençóis e almofadas), mas também a roupa interior, toucas, aventais, lenços e roupa infantil.

Basically Terceira Embroideriesis traditionally referred to as whitework embroidery. The stitches used in whitework embroidery are not what define especially this kind of embroidery, because the stitches are used by all embroiderers in the Portuguese Islands and continent as well as in entire European continent. This type of embroidery appears with the classicism of the late 18th century. It is the most recommended type of embroidery for household linen.
White linen, cotton, muslin, chambray fabrics are used in whitework, namely English embroidery (broderie anglais) which decorates not only the household linen (monograms on linens and pillows), but also underwear, caps , aprons, scarves and children’s wear.

Usa-se predominantemente o ponto aberto e o bordado a cheio na decoração ao longo do séc. XIX, dos linhos que faziam parte da bagagem dos emigrantes que partiam para o Brasil, onde desenvolveram a indústria de tecidos de algodão e linho, associada à indústria de bordados. No final do séc. XIX já se pode falar de uma exportação regular e industrializada que se estende, não só ao Brasil, mas também aos Estados Unidos e Canadá e norte da Europa (Inglaterra e Alemanha) a par com o bordado Madeirense. Há notícias que as casas da Madeira procuravam na ilha Terceira bordadeiras a quem confiavam o excesso de encomendas.Em meados do séc. XIX há registo de grande número de bordadeiras em Angra do Heroísmo, e bordadeiras também recrutadas nas ilhas de S. Jorge e Graciosa.
As ligações comerciais do Bordado da Madeira com a Inglaterra estenderam-se às ilhas dos Açores. Observando com atenção o bordado da Madeira e o da Terceira encontram-se realmente afinidades entre os dois especialmente de 1940 e 1960, muito mais que atualmente. Ambos os bordados evoluiram natural e diversamente.
It is used mostly openwork and satin stitch along the 19th century, in the linens that were part of the baggage of emigrants leaving for Brazil, where they developed the industry of cotton and linen, associated with the embroidery industry. At the end of the 19th century we can already speak of a regular and industrialized export that extends not only to Brazil but also to the United States and Canada, and northern Europe (England and Germany) alongside with Madeira embroidery.There are records that houses on Madeira  island looked for embroiderers in Terceira island to whom trusted the excess of orders.
In  mid- 19th century  there are records of a large number of embroiderers in Angra do Heroismo, and there are embroiderers sought from  islands of S. Jorge and Graciosa as well.
Commercial links between Madeira Embroidery and England extended to the islands of the Azores. A careful observation of the embroidery of Madeira and the embroidery of Terceira are actually affinities especially between 1940 and 1960, much more than today. Both embroideries have evolved natural and differently.
Nota minha: as fotos que se seguem penso eu que serão as peças mais antigas: lenços, monogramas, etc.
My note:I think the following photos  are the oldest pieces: handkerchiefs, scarves, monograms, etc..

Os lenços de amor brancos bordados a ponto cheiro e recorte encontram-se nos exemplares mais antigos desta região; também o ponto aberto (crivos artísticos), o richelieu, os ilhós em linha de algodão branco em tecido branco caracterizam atualmente o Bordado da Terceira. Classificar este tipo de bordado não é fácil pois também integra o ponto grilhão, pé de flor, corda, canutilho, caseado, cavacas, ponto de areia, granitos e nozinhos – a sua utilização tanto dependia do gosto das bordadeiras como das tendências do mercado. O mesmo acontecendo com os motivos decorativos (estilizados ou não) que, como por esse mundo fora, se baseiam na flora campestre: ramos, flores, laços, corações, etc.

White love handkerchiefs embroidered with satin stitch and buttonhole stitch are the oldest examples of this region; also openwork ( artistic openwork ), richelieu, eyelets in white cotton threads on white fabrics currently characterize Terceira embroidery. Classify this kind of embroidery is not easy because it also includes the Palestrina Stitch,Stem stitch, Bullion, Buttonhole Stitch, Cavacas, Seed Stitch,  Granitos and French Knots – its use both depended on the taste of embroiderers as market trends. The same happened with decorative motifs (stylized or not), as throughout the world are based on flora : branches, flowers, bows, hearts, and so on.



Mais que a técnica o que distingue o bordado a branco feito nas ilhas Terceira e Graciosa são os temas e composição dos motivos decorativos – poderá ser definido como uma das diversas versões populares do bordado inglês ou germânico, ao lado do Bordado de Guimarães, de Tibaldinho, da Lixa, da Terra de Sousa e da Madeira.
Do bordado inglês distingue-se pela variedade de pontos utilizados, o uso em cachos do ponto cheio e ilhós sombreados ou não, o preenchimento das aberturas com crivo, os ilhós juntos em diversas composições geométricas de que resultam, por exemplo, as designadas cavacas(1) e viúvas(2). É nestas versões que o bordado da Terceira se apresenta e distingue atualmente
Entre todos estes bordados existem muitas afinidades e percurso semelhante: uma fase antiga de cariz nobre, uma grande variedade de pontos e harmonia de composição decorativa, uma fase de regionalização, tipificada nos motivos mais populares e tradicionais e a fase moderna, caracterizada por alguma liberdade na composição decorativa assim como na utilização de novos materiais e novas cores, sem, contudo, ignorar os modelos anteriores.[i]

More than the technique which distinguishes whitework made at Terceira and Graciosa are the themes and the composition  motifs of decoration – it can be set to one of several popular versions of English embroidery or Germanic whitework, aside of Guimarães Embroidery, Tibaldinho Embroidery, Lixa Embroidery, Terra de Sousa Embroidery and Madeira Embroidery.

It is well distinguished from English embroidery (broderie anglaise) by the variety of stitches used in clusters using satin stitch and  shadowed (or not) eyelets , filling the open work, eyelets together in various geometric compositions that result , for example , designated cavacas(1) and widows(2) (literal translation). It is these versions that Terceira embroidery currently presents and distinguishes.

Among all these embroideries are many affinities and similar route : an ancient phase of noble nature, a variety of decorative stitches and harmony of composition, a process of regionalization, typified in the most popular and traditional motifs and a modern phase, characterized by some freedom in decorative composition as well as the use of new materials and colors, without ignoring the old models.[i]

[i] In Bordados dos Açores – Bordado de S.Miguel – textos de Alexandra Andrade.

Cores e motivos mais atuais
Colours and more recent motives

Bordado da Terceira atual

Bordado da Terceira atual

(1)cavaca (regional term – none translation found)


(2) Viúvas (regional term – widows – literal translation)

E é tudo sobre o Bordado da Terceira. O bordado da outra ilha dos Açores de que vou falar penso ser bastante desconhecido, mesmo para os Portugueses!
Bom fim de semana!

And it’s all about Terceira Embroidery. The embroidery of the other island of Azores I’ll be talking next is quite unknown even to the Portuguese people, I think!
Have a great weekend!

 

Bordados dos Açores / Azorean Embroideries

Bordados dos Açores   edição da Secretaria de Estado da Economia Centro Regional de Apoio ao Artesanato/2008

Bordados dos Açores
edição da Secretaria de Estado da Economia
Centro Regional de Apoio ao Artesanato/2008
 Azorean Embroidery
edition of the State Secretariat for Economic Affairs 

Regional Centre for Handicrats /2008

Fios

Fios – Formas e Memórias dos Tecidos, Rendas e Bordados
Instituto de Emprego e Formação Profissional – 2009
Threads – Shapes and Memories of Fabrics, Lace and Embroidery
Institute of Employment and Vocational Training – 2009

A Mariamana ofereceu-me estes dois livros há meses. Devido aos problemas com os olhos não peguei logo neles. Hoje vou falar dos Bordados de S. Miguel
Mariamana gave me these two books  for months. Due to my problems eyes did not catch them immediately. Today I will talk about S. Miguel Embroidery ( Azores islands: ilha S. Miguel, ilha do Pico, ilha da Terceira, Ilha do Faial, ilha das Flores, ilha de S. Jorge, ilha Graciosa, ilha de Sta Maria e ilha do Corvo,) Azores islands are just wonderful! (I only know S. Miguel island!)

Um pouco de História

O Arquipélago dos Açores, descoberto pelos Portugueses no séc. XV , com as suas 9 ilhas, representa uma diversidade geográfica e, por consequência, também cultural muito rica.
O povoamento das ilhas, então desertas, torna-se muito importante nas rotas do Atlântico Norte, inicialmente de Portugal e Espanha e, posteriormente da Flandres e países do norte da Europa. A rota do Mediterrâneo vai perdendo a forte influência que tinha.
As rotas do Atlântico estendem-se e fazem com que o arquipélago dos Açores ganhe uma riqueza cultural diversificada devido ao cruzamento de culturas.
The Azores Islands, discovered by the Portuguese in the 15th century, with its nine islands, represent a geographical diversity and therefore very rich culture  as well.
The settlement of the islands, then deserted, becomes very important on the North Atlantic routes, originally from Portugal and Spain, and later in Flanders and northern countries of Europe. The route of the Mediterranean gradually loses the strong influence it had.
The Atlantic routes extend and make the Azores islands get a diverse cultural richness due to the crossing of cultures.

A arte de bordar liga-se à mais antiga arte artesanal dos Açores – a tecelagem.
Inventários da fidalguia da época registam a existência de indústria caseira de tecelagem e bordados. As peças tanto eram para uso caseiro como para uso religioso. A partir do séc. XVIII o linho e algodão começa a ser importado da Flandres e eram também fornecido os modelos da época, que eram copiados nas ilhas . Também outras influências se foram sentindo: Índia, Inglaterra, Brasil e já no séc. XIX da América do Norte, quer devido a relações comerciais, mas principalmente à emigração.

The art of embroidery binds to oldest craftsmanship of Azores – weaving.
Inventories of the nobility of the time record the existence of cottage industry of weaving and embroidery. The pieces were both for home or for religious use. From the 18th century linen and cotton fabrics began to be imported from Flanders and were also comes models of the time fashion, who were copied on the islands. Also other influences were feeling: India, England, Brazil and already in 19th the century from North America, either due to trade relations, but mainly to emigration.

A comercialização do Bordado de S. Miguel deve-se à iniciativa privada do maior grupo empresarial dos Açores, pertencente à família Bensaúde, nos anos 30 do séc. XX, que desenvolveu uma indústria artesanal vocacionada para exportação e cujo desenvolvimento não poderá ser dissociado da indústria de faiança pintada
[i]

The marketing of Embroidery S. Miguel is due to the largest private corporate group in Azores, which  belongs to Bensaude Family, in the 30 century. XX, which has developed a craft industry dedicated to export and whose development can not be separated from painted faience industry [i] 

Os primeiros trabalhos de bordados e faianças foram apresentados em Lisboa em 1932, no Salão da Ilustração Portuguesa. Todos estes trabalhos foram mais tarde apresentados na Exposição do Mundo Moderno, em Paris, 1947.

The first works of embroidery and pottery were presented in Lisbon in 1932. All these works were later presented in the Modern World Exhibition in Paris, 1947. 

Hoje o bordado típico da ilha de S. Miguel recria em matiz, os motivos das velhas porcelanas orientais – raminhos chineses, florinhas, algumas aves – voltados dos cantos para o centro, formando ramos soltos, alternando uns maiores com outros mais pequenos. Usando dois tons de azul de fio mouliné de algodão (Anchor 508 e 510), ou filosela (fio de seda) sobre tecido de linho ou algodão ou cambraia branca.

O remate é feito em ponto caseado (liso ou bastido?) ou recorte invertido, executado sobre a borda do tecido voltada para o avesso, que é aparada no final.
hemConseguem ver?

As peças mais antigas eram, no entanto, bordadas a matiz em filosela ou algodão em cores vivas. [ii]

Today the typical S. Miguel embroideries recreates in needle-painting (long and short stitches) , the motives of the old oriental porcelain – Chinese sprigs, little flowers, some birds – facing from the corners to the center, forming loose branches, alternating with other larger and smaller ones. Using two shades of blue thread mouliné cotton (Anchor 508 and 510), or filoselle (silk) on linen or cotton or batiste, all white.

The hem is done in inverted  buttonhole stitch or blanket stitch (plain or bastido?) , run over the edge of the fabric folding to the wrong side, which is trimmed at the end.
hem2Can you see?

The oldest pieces were embroidered, however, in long and short stitches with filoselle or  cotton in bright colors.  [ii]

[i] Do artigo Bordados dos Açores – Produto Certificado – por Alexandra Andrade – in Fios, formas e memórias dos tecidos, rendas e bordados

[ii] In Bordados dos Açores – Bordado de S.Miguel – textos de Alexandra Andrade.

Os bordados de S. Miguel serão, por ventura, os mais conhecidos.
S. Miguel Embroideries  will be the best known, perchance.

Bordado de S. Miguel Açores

Foto do livro – Bordados dos Açores. Mas a Mariamana traz-me tanta coisa de S. Miguel, que nem preciso de copiar pelo livro.
Photo from  Bordado dos Açores book. But Mariamana brings me so much of S. Miguel embroideries, I do not even need to copy from the book.
Bordado de S.MiguelBordado de S. MiguelBordados e porcelana pintada de S. Miguel  – foto minha; S. Miguel Embroideries and painted faience – picture by me.
Bordado antigo de S. MiguelBordado antigo de S. MiguelOldest embroideries / Bordados mais antigos from Bordados dos Açores book.
This last picture is the last embroidery my sister brought to me. It’s embroidered in white and grey silk on blue linen and the hem are not in inverted buttonhole stitch.Bordado de S. Miguel diferenteTalvez um olhar mais moderno do Bordado de S. Miguel.
Maybe a new-look of S. Miguel embroideries.