Coisas curiosas / Curious Things (2)

English readers: please avoid the Google translation, though even with my translation you may end very confused. Sorry for that, but I have been working hard on this post …

O ponto pé de flor

Nos bordados tradicionais Portugueses o ponto pé de flor está sempre a aparecer, embora possa ser designado de outra forma, como aqui já foi dito. Assim no bordado de Tibaldinho o ponto pé de flor é ponto pé a fugir ou ponto a fugir, em Viana é ponto cordão ou ponto haste, na Madeira ponto de corda, em Nisa ponto de fio torcido. Em Guimarães e Castelo Branco aparece como ponto pé de flor.
Como sou uma rapariga do norte, sempre ouvi falar no ponto pé de flor, ponto haste e ponto cordão.

The stem stitch (the literal translation of our ponto pé de flor is flower stem stitch)

In Portuguese traditional embroideries stem stitche is always present though it has different names as referred here. So in Tibaldinho Embroidery stem stitch is known – from now on I’ll give you literal translations for our stitches – as stem fleeing stitch or fleeing stitch, in Viana Embroidery is known as cord stitch or stem stitch, in Madeira (Island) as rope stitch, in Nisa as twine stitch. In Guimaraes and Castelo Branco is flower stem stitch.
As I am a northern girl I always knew it as flower stem stitch, stem stitch and cord stitch.

Penso que posso dizer que é dos pontos mais usados em bordados.
É, por isso, um dos primeiros pontos que se aprende/ensina. Quando preparei a primeira oficina de bordados, lá fui eu à procura de qualquer particularidade que me escapasse no ponto pé de flor.
Pesquisei nos livros que tenho, blogues e dicionários on-line a que já referi na primeira entrada desta série.

I think I can say it is one of the most used stitches in embroidery.
It is therefore one of the first stitches we learn/teach. When I prepared the first workshop of embroidery I looked for any detail about stem stitch. I’ve searched in my books, blogs and dictionaries I linked in the first post of Curious Things.

A primeira coisa curiosa com que deparei foi a não existência do ponto pé de flor duplo em língua inglesa, melhor dito, double stem stitch não aparece em livros ou dicionários, mas aparece, assim referido, em instruções de alguns kits de bordados. A Mary Corbet, que já sabem que para mim é uma referência, quando interrogada sobre o ponto pé de flor duplo (traduzido literalmente) responde não conhecer esse ponto e que o mais provável será quererem referir-se simplesmente ao ponto pé de flor feito duas vezes muito junto (aqui – 5º comentário). Janet  Mccaffrey parece ter opinião semelhante.

First curious thing I came across was the absence of double stem stitch in English it doesn’t appear on books or dictionaries but as far I understood it appears on directions of some embroidery kits. Mary Corbet, who you already know is a reference for me, when questioned about double stem stitch answers she can’t find any reference of the stitch and  thinks the double stem stitch is stem stitch stitched twice, two rows very close (here – 5th comment). Janet Mccaffrey seems having a similar view.

Ora, nós Portugueses por cá, e os Italianos por lá, (punto erba semplice e doppio) têm mesmo o ponto pé de flor duplo, que aparece muitas vezes referido na revista Rakam. Em francês não encontrei, a não ser o mesmo entendimento da Mary e da Janet.

But here the Portuguese and there the Italians, (punto erba semplice e doppio) have the double stem stitch (literal translation) which is often reffered in Rakam magazine. In French I only found the same opinion of Mary and Janet’s.

Eu, atrevidamente, concluo que é tudo uma questão de tradução. Por exemplo a Tutto Ricamo traduz o punto erba doppio para double stem stitch, tradução literal.
Não custa a imaginar que quem negoceia kits e revistas faça o mesmo. Eu fiz o mesmo.

I boldly infer it’s all a matter of translation. For example Tutto Ricamo translates punto erba doppio for double stem stitch, literal translation. I did the same.
Not hard to believe that kit or magazine sellers do the same if they sell from Italy to America or in America from Itallian patterns.

Foi então que encontrei outra coisa curiosa, relacionada com tudo isto, na página Heritage Shoppe. Recorro frequentemente a esta página, mas nunca tinha ido ver o que diziam sobre o ponto pé de flor. Vale a pena ler. Neste artigo apresentam-nos três formas de fazer o ponto pé de flor:

Then I found another curious thing connected with all that at Heritage Shoppe. I often open this site but has never read Stem stitch page. Worth reading. This article presents three appoaches to do stem stitch:

1  primeira   1 first one

a linha não vem completamente atrás, ao mesmo buraco do ponto anterior, apanha só um pouco de tecido, digamos que faz um pequeno ponto atrás;

the thread doesn’t go back into the same hole, needle picks a little bit of fabric, doing a little back stitch – no special name in English

2 A segunda forma é o ponto pé de flor (stem stitch) como vem demonstrado na “Encyclopedia of Needlework” by Thérèse  Dillmont, 1870, acrescentando que aparece, muitas vezes, designado em inglês como wide stem stitch (e não double stem stitch).
Eu diria que este é o ponto pé de flor duplo e o punto erba doppio.

2 Second approach is the stem stitch as showed in “Encyclopedia of Needlework” by Thérèse Dillmont, 1870, telling this stitch is often referred as Wide Stem Stitch (and not double stem stitch).
I would say this is our ponto de pé flor duplo and Italian punto erba doppio (double stem stitch – literal translation)

3 A terceira forma é o ponto pé de flor como tradicionalmente se aprende

3 Third approach is stem stitch as we traditionally learn

 agulha vem atrás ao mesmo buraco do ponto anterior
needle comes back in the same hole from the previous stitch


Tentei juntar aqui as três formas. I tried to do three approaches together.

Mas o que é extraordinário é como começa a explicação desta terceira forma:

Known as punto de cordão in Portuguese, or cord stitch. It is an apt name, for indeed, cord (or rope) is how it looks”!

(Conhecido como punto de cordão em Português, or cord stitch. É um nome bastante apropriado porque na verdade cordão (ou corda) é o que parece)

Não acham isto curioso?

But more curious is how this third approach begins:

Known as punto de cordão in Portuguese, or cord stitch. It is an apt name, for indeed, cord (or rope) is how it looks”!

Isn’t it curious?

Há ali uma ligeira mistura entre Português e Italiano, o que, cá por casa, por vezes acontece ;)

Como terá chegado esta designação, hoje só característica no norte de Portugal, ao conhecimento do(a) autor(a) do artigo?
Poder-se-á concluir que a designação de ponto cordão é mais antiga que ponto pé de flor? e esta última designação terá a sua origem numa tradução mais literal do point de tige ou do stem stitch? Não sei…

There is a slight mixture between Portuguese and Italian which around here sometimes happens lately ;)

How has this Portuguese regional name come to the knowledge of the article’s author?
Is it possible that the designation ponto cordão is older than ponto pé de flor (flower stem stitch)? And this latter designation has its origin in a more literal translation for point de tige or stem stitch? I do not know…

Outra ideia que me surgiu: será o ponto de pé a fugir ou ponto a fugir, como é designado nos bordados de Tibaldinho, feito como na primeira forma apresentada na página Heritage Shoppe? Alguém que conheça bem como se faz o bordado de Tibaldinho poderá deixar um comentário, por favor?
Em Guimarães faz-se o ponto pé de flor tradicional (3ª) e o ponto pé de flor duplo (2ª)
Qual das três formas se usa para o ponto cordão na Madeira? E em Castelo Branco? E em Viana? Gostaria de saber como as bordadeiras destas regiões fazem o que designamos por ponto pé de flor.
Os nomes diferentes que encontramos, para o que pensamos ser o mesmo ponto, poderão ter a sua origem nos diferentes modos de fazer esse mesmo ponto.

Another idea comes to me: could the fleeing stitch (literal translation) in Tibaldinho embroidery be made as shown on first approach in Heritage Shoppe? Someone who knows well how Tibaldinho embroidery is done:  could you leave a comment please?
In Guimaraes we do the usual stem stitch (3rd) and the Wide stem stitch (2nd).
Which approach is used for ponto corda in Madeira? In Castelo Branco? Viana? I wonder how the embroiderers of each region do the stem stitch.
Different names for what we think being the same stitch may have their origins in different “how to” do the stitch.

Pode-se concluir muito pouco:

– o ponto pé de flor é stem stitch em inglês, o que já se sabia;

– há três formas (até ver…) de fazer o ponto pé de flor;

– o ponto pé de flor duplo é  wide stem stich em inglês e não double stem stitch;

– e ainda… quanto mais se procura e lê, mais dúvidas surgem!

Mas eu sou das que gostam de ter dúvidas ;)

We can conclude very little:

ponto pé de flor is stem stitch in English which was already known;

– there is three approaches (so far…) for stem stitch;

ponto pé de flor duplo is wide stem stitch in English not double stem stitch;

Fontes / Sources

All the links on the text and

Páginado Município de Felgueiras

Museu do Bordado e do Barro – Nisa

Bordado de Guimarães, Renovar a tradição – editora Campo das Letras (esgotado!)
( pdf Português;  pdf English)

O “Bordado” e as colchas de Castelo Branco – Museu de
Francisco Tavares Proença Junior, 1974

Bom fim de semana!

Have a great weekend!

6 thoughts on “Coisas curiosas / Curious Things (2)

  1. Meri, I can see that you have worked very hard on this post, such a lot of research. It is fascinating how embroidery and stitches travel around the world…a common language I think. I hope you are well, can you believe that Lydia will be one year old next week??

  2. Olá
    Não tenho mais conhecimentos para ajudar.
    Sobre o livro Bordado de Guimarães, Renovar a tradição – editora Campo das Letras está esgotado e o pior é que a editora já não existe. Não sei se voltaremos a ter o livro reeditado.
    Abraço

  3. Interessantíssimo, parabéns!
    Do pouco que sei destas coisas, e em relação ao bordado de Castelo Branco (uma parte da minha família até é de lá…), posso adiantar que sempre ouvi falar em ponto pé de flor – feito tradicionalmente, em que a «agulha vem atrás ao mesmo buraco do ponto anterior».
    Também tenho uma revista com um artigo sobre este bordado – motivos característicos e pontos utilizados – que refere exactamente o «ponto pé de flor» (se a Meri quiser, faço um «scan» deste artigo e mando-lhe por mail).

  4. Pingback: Veja como seria poder ver o sinal das redes Sem Fio! « Juliano C. Rossi

  5. Hi Meri, I agree with you on your translation of double stem stitch actually being wide stem stitch. :-) Hope all is well with you. I’m loving Guimarães embroidery. I think its become my favourite!

  6. Pingback: Coisas curiosas / Curious Things or Bordado das Caldas da Rainha vs Punto Umbro o Portuguese | agulhas da Méri®

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