A história de uma máquina de costura / The story of a sewing machine

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Esta máquina tem uma longa história. Tentarei contá-la em poucas palavras.

Em 1893 os pais da minha sogra casaram. O noivo ofereceu esta máquina à sua noiva. Tiveram dez filhos. A minha sogra era a mais nova e foi a última a casar.

E foi esta máquina que coseu, remendou e virou a roupa dessa grande família. As crianças eram tantas que o casal resolveu comprar cabedal e sola por junto e, todos os anos, chamavam um sapateiro que durante 8 dias gaspeava e arranjava calçado, sempre nesta máquina. E a máquina lá continuou a trabalhar para os enxovais dos filhos, à medida que iam casando, e para os enxovais dos netos, à medida que iam nascendo.

Quando a minha sogra se casou, a mãe deu-lhe a máquina.

Vinte e dois anos depois, um ano depois da mãe morrer, a minha sogra juntou os irmãos, filhos e sobrinhos para recordarem a mãe e avó e a máquina teve lugar de honra na sala de jantar. Escreveu, à mão, A história de uma máquina de costura nove vezes, em cartolina, cosida na máquina como um pequeno livro, para dar aos seus irmãos. Isto foi em 1969.

Nós ficámos com a máquina, quando a minha sogra morreu. E ainda trabalhou na nossa casa.

Em Outubro passado a minha sogra faria 100 anos. No início do ano começámos a contactar primos para se juntarem a nós, num almoço em Outubro. No passa-palavra conseguimos os endereços de todos. Fizemos uma árvore da família completa. Esperávamos ter para o almoço uns 50 primos. No final contámos 87 cabeças! Só 6 faltaram ao encontro. Distribuímos uma cópia d’ A história de uma máquina de costura (muito maior que estas curtas palavras), especialmente para os mais novos – juntámos 4 gerações.

É claro que a máquina antiga teve lugar de honra para recordar e celebrar a minha sogra!

(esta foto é a entrada para um sorteio da Lisa – aqui)

4 thoughts on “A história de uma máquina de costura / The story of a sewing machine

  1. Deve ter sido dificil cozer e gaspear calçado numa máquina destas. É que as máquinas dos sapateiros não tem tampo mas apenas o braço para poder cozer o calcanhar que é onde forma a costura.

  2. Méri, linda história de família! E a máquina parece estar em perfeito estado de conservação, muita gente aqui no Brasil tem máquinas antigas assim, reformam e guardam como peça de decoração – o gosto pelas coisas manuais passa pelas gerações, eu acho. Agora só falta bordar a árvore da família e colocar próximo à máquina! :)

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